O governo canadense reagiu imediatamente ao anúncio das novas tarifas americanas, classificando a medida como uma ação comercial unilateral dos Estados Unidos. O primeiro-ministro Mark Carney informou que o país adotou tarifas equivalentes em resposta às decisões de Washington, ressaltando que a medida está amparada pelo direito internacional.
Em nota, Carney afirmou que o Canadá continuará tomando todas as medidas necessárias para proteger trabalhadores, agricultores, empresas e famílias canadenses, ao mesmo tempo em que reforçou o compromisso com uma saída negociada para o conflito.
“O Canadá acredita nos benefícios do comércio livre e justo”, declarou o premiê, lembrando que o país firmou mais de 20 novas parcerias econômicas e de segurança desde a posse de seu governo.
Segundo ele, a guerra tarifária elevou os custos para as famílias, especialmente nos Estados Unidos, e Ottawa permanece disposta a trabalhar para resolver as divergências de forma mutuamente benéfica.
O primeiro-ministro também destacou que as relações comerciais entre os dois países vêm sendo alteradas há cerca de 18 meses, inclusive em temas ligados ao Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), tratado que rege o livre comércio na América do Norte.
No início deste mês, Trump rejeitou a renovação do USMCA nos moldes atuais. Em resposta, o Canadá apresentou propostas para atualizar o acordo e superar o impasse, enquanto Carney sinalizou que pretende intensificar as negociações com Washington nas próximas semanas.
Os Estados Unidos anunciaram uma nova escalada na disputa comercial com o Canadá ao impor uma sobretaxa adicional de 50% sobre uma série de produtos canadenses, com entrada em vigor prevista para 19 de agosto. A medida foi anunciada pelo presidente Donald Trump e, segundo a Casa Branca, tem como objetivo responder ao que o governo americano classifica como um tratamento discriminatório aos produtos dos EUA.
As três proclamações assinadas por Trump foram fundamentadas na Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, dispositivo que permite ao Executivo americano aplicar tarifas retaliatórias contra países considerados discriminatórios em relação às exportações dos Estados Unidos.
De acordo com a Casa Branca, a iniciativa busca restabelecer condições mais equilibradas para setores estratégicos da economia americana, como os de automóveis, bebidas alcoólicas e laticínios. O governo americano afirma que as compras canadenses de veículos produzidos nos EUA caíram 22%, enquanto as importações de bebidas alcoólicas americanas recuaram 81% em um ano.
Produtos atingidos
Entre os produtos canadenses afetados pela nova rodada de tarifas estão vinhos, tacos de hóquei, cimento, laticínios, piscinas, móveis, varas de pesca, sementes, roupas e perucas, conforme a lista divulgada pela Casa Branca.
Embora a disputa envolva diretamente Estados Unidos e Canadá, o agravamento da guerra comercial entre duas das maiores economias da América do Norte pode provocar impactos nas cadeias globais de suprimentos, pressionando preços de commodities e produtos industrializados em diferentes mercados.
A nova medida representa mais um capítulo da deterioração das relações comerciais entre Washington e Ottawa, intensificada desde o encontro entre Mark Carney e Donald Trump, realizado na Casa Branca, em outubro de 2025. As tarifas de 50% marcam a escalada mais recente desse conflito.




