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EUA pressionam Bolívia a expulsar espiões iranianos e designar grupos terroristas

Washington também pede que La Paz classifique Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, Hezbollah e Hamas como organizações terroristas, segundo fontes à Reuters

Washington busca que a Bolívia expulse supostos espiões iranianos e classifique a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã como organização terrorista, conforme revelaram à Reuters duas fontes com conhecimento direto do assunto neste sábado (24/01). A pressão diplomática americana também inclui pedidos para que La Paz designe o Hezbollah e o Hamas como grupos terroristas.

A iniciativa americana intensificou-se no início de 2026, especialmente após uma operação realizada no começo de janeiro para capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro. Autoridades de Washington pressionaram rapidamente o governo da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, para reduzir a cooperação com Teerã.

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A estratégia dos EUA aproveita a recente transição política na Bolívia. A eleição do presidente centrista Rodrigo Paz em outubro de 2025 representa uma ruptura com quase duas décadas de governos de esquerda no país andino.

Esta mudança criou o que autoridades americanas consideram uma oportunidade para afastar o país da influência iraniana. A ação diplomática não se limita apenas à Bolívia, pois os EUA avaliam iniciativas semelhantes no Chile, Peru e Panamá.

A Bolívia, país com 12 milhões de habitantes localizado no centro da América do Sul, tornou-se uma base importante para operações diplomáticas e de inteligência do Irã no continente. Sua posição geográfica, fazendo fronteira com várias nações sul-americanas, aumenta sua relevância estratégica.

Rick de la Torre, ex-alto funcionário da CIA e antigo chefe da estação em Caracas, explicou que a Venezuela tem sido a principal base das operações iranianas na América Latina, enquanto Bolívia e Nicarágua funcionam como “nodos secundários” de Teerã na região.

“O valor da Bolívia para Teerã estava no clima político permissivo, na fiscalização mais branda e na geografia central”, afirmou De la Torre. “Na prática, o padrão que se observa na América Latina é o Irã e o Hezbollah usando as jurisdições mais permissivas como centros, a partir dos quais se projetam discretamente para Estados mais capazes ou de maior valor nas proximidades.”

O Ministério das Relações Exteriores da Bolívia declarou que “ainda não há uma posição completamente definida sobre esse tema”. O Departamento de Estado americano não respondeu às solicitações de comentário. A missão iraniana nas Nações Unidas recusou-se a comentar o assunto.

Evo Morales, presidente da Bolívia de 2006 a 2019, e Luis Arce, que governou de 2020 até o final de 2025, aprofundaram os laços com o Irã, inclusive em temas de defesa e segurança. Ambos justificavam essa aproximação argumentando que os países estavam unidos contra o que consideravam imperialismo americano.

O presidente Rodrigo Paz assumiu em meio a uma grave crise econômica e com um Legislativo fragmentado. Seu governo busca recompor relações com os EUA enquanto incentiva investimentos privados. Washington acolheu publicamente sua eleição e, em dezembro de 2025, tornou a Bolívia elegível para recursos da Millennium Challenge Corporation, agência independente do governo americano.

As pressões sobre a Bolívia integram uma campanha regional contra a influência iraniana. Em setembro de 2025, o Equador classificou a Guarda Revolucionária Islâmica, o Hamas e o Hezbollah como organizações terroristas. Na semana passada, a Argentina designou a Força Quds, do Irã, como grupo terrorista.

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