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França manifesta apoio à Dinamarca após ameaças de Trump sobre Groenlândia

França manifesta apoio à soberania da Dinamarca sobre a Groenlândia após Trump reafirmar interesse em anexar o território. Confira a reação dos países envolvidos.

O governo francês manifestou apoio à soberania territorial da Dinamarca e da Groenlândia em resposta às declarações do presidente dos Estados Unidos sobre anexação do território groenlandês. Pascal Confavreux, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França, fez o pronunciamento nesta segunda-feira (05/01) durante entrevista concedida à emissora “TF1” em Paris.

A manifestação francesa ocorre após Donald Trump reafirmar, no domingo (04/12), seu interesse em colocar a Groenlândia sob controle americano. O presidente dos EUA fez a declaração apenas um dia depois da operação militar que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

“É uma demonstração de solidariedade com a Dinamarca… A Groenlândia pertence ao povo da Groenlândia e ao povo da Dinamarca. Cabe a eles decidir o que desejam fazer. Fronteiras não podem ser alteradas pela força”, declarou Confavreux à “TF1”.

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O porta-voz francês também mencionou os esforços de preparação militar do país: “Estamos nos preparando em termos de rearme militar, (…) o projeto de lei do governo visa a aumentar o orçamento militar, mas também o rearme industrial e econômico. (…) Uma diplomacia não pode ser forte sem um motor econômico forte”.

Trump justificou seu interesse na ilha ártica com argumentos de segurança nacional. “Precisamos da Groenlândia para a segurança nacional, não para minerais… Se você olhar para a Groenlândia, para cima e para baixo na costa, verá navios russos e chineses por toda parte. Precisamos dela para a segurança nacional. Temos que tê-la”, afirmou o presidente americano.

Em 21 de dezembro, Trump nomeou Jeff Landry, governador da Louisiana desde janeiro de 2024, como enviado especial para a Groenlândia. Landry manifestou apoio à anexação, declarando em sua conta no X ser “uma honra servir” em posição voluntária para “tornar a Groenlândia parte dos EUA”.

Leia mais: Chanceler da China diz que nenhum país pode ser a polícia do mundo

A pressão americana sobre a Dinamarca aumentou em 23 de dezembro, quando o governo dos EUA suspendeu licenças de cinco grandes projetos de energia eólica offshore na costa leste do país. Dois desses projetos pertencem à estatal dinamarquesa Orsted.

A primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen e o primeiro-ministro groenlandês Jens-Frederik Nielsen emitiram declaração conjunta rejeitando as pretensões americanas: “Não se pode anexar outro país, nem mesmo com um argumento de segurança internacional. A Groenlândia pertence aos groenlandeses”.

Nielsen também se pronunciou individualmente: “Acordamos novamente com um novo anúncio do presidente dos EUA. Isso pode parecer grande, mas não muda nada para nós. Nós decidimos nosso próprio futuro”.

O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, anunciou que convocará o embaixador americano Kenneth Howery, que havia prometido “respeito mútuo” durante visita recente à Groenlândia. “De repente surge um representante especial com a missão de assumir a Groenlândia. Isso é completamente inaceitável”, disse Rasmussen.

Frederiksen expressou preocupação com a situação: “Aliados de toda a vida estão nos colocando nessa posição”.

A Groenlândia possui cerca de 57 mil habitantes e, desde um acordo firmado em 2009, tem o direito de declarar independência. O território ainda depende economicamente da pesca e de subsídios provenientes da Dinamarca.

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