O governo do Irã intensificou o discurso de mobilização militar ao exibir um apresentador da televisão estatal disparando um fuzil dentro do estúdio durante um programa ao vivo. A cena ocorreu em meio a uma campanha organizada pela Guarda Revolucionária para treinar civis no manejo de armas de guerra, em preparação para um possível confronto com Israel e os Estados Unidos.
As oficinas começaram há pouco mais de duas semanas em Teerã e são abertas voluntariamente à população, incluindo homens sem experiência militar e mulheres. Durante os treinamentos, os participantes aprendem a carregar, descarregar, montar e desmontar fuzis Kalashnikov.
A transmissão do apresentador armado foi usada pela TV estatal como demonstração pública da iniciativa. O jornalista também fez ameaças contra Israel durante a exibição, reforçando o discurso adotado pelo regime iraniano diante da crise regional.
Segundo Nasser Sadeghi, integrante da Guarda Revolucionária, a adesão ao programa tem sido elevada. “A resposta da população, tanto de homens quanto de mulheres, é extraordinária”, afirmou. Ele disse ainda que o objetivo é “promover a cultura do martírio e vingar o sangue de nosso líder”.
O treinamento militar ganhou força após os ataques de 28 de fevereiro, que resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei. De acordo com Sadeghi, outras armas poderão ser incorporadas às aulas conforme decisão das autoridades iranianas.
A escalada militar ocorre paralelamente às tentativas diplomáticas entre Teerã e Washington. Em abril, os dois países realizaram negociações diretas em Islamabad, mas sem avanços relevantes.
Apesar de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter cancelado recentemente um ataque planejado contra o Irã, o vice-presidente JD Vance afirmou que os americanos mantêm um “plano B” para retomar ações militares caso as conversas fracassem.
A iniciativa de armar e treinar civis é vista como um sinal de escalada na preparação do Irã para um conflito direto, enquanto o país mantém abertas as negociações diplomáticas com os Estados Unidos.
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