O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta quinta-feira (8/1) que o país está preparado para reagir caso seja novamente atacado por Israel ou Estados Unidos, embora não desejar um conflito. O chanceler iraniano também se mostrou aberto a negociações sobre o programa nuclear de Teerã, desde que baseadas em respeito mútuo.
Durante pronunciamento a jornalistas, Araghchi reiterou a postura defensiva do Irã frente às tensões regionais. As declarações ocorrem em meio a temores de novos ataques israelenses contra território iraniano, após a ofensiva de 12 dias lançada por Israel em junho de 2025, que resultou na morte de oficiais militares de alto escalão e cientistas nucleares iranianos.
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“Os EUA e Israel testaram seu ataque contra o Irã, e esse ataque e essa estratégia enfrentaram um fracasso extremo”, declarou Araghchi. “Se repetirem, enfrentarão os mesmos resultados. Estamos prontos para qualquer escolha. Não desejamos uma guerra, mas estamos preparados para ela”, acrescentou o ministro.
O confronto de junho aconteceu principalmente em território iraniano, com bombardeios direcionados a instalações militares e nucleares. Os Estados Unidos participaram das ações militares, atacando instalações de enriquecimento nuclear iranianas durante o conflito.
Em fevereiro deste ano, o presidente americano Donald Trump restabeleceu uma campanha denominada “pressão máxima” contra o Irã. A iniciativa culminou nos ataques de junho contra três instalações críticas de enriquecimento, com o objetivo declarado de impedir o desenvolvimento de armas nucleares pelo governo iraniano.
Após a saída unilateral dos EUA do acordo nuclear de 2015, decisão tomada por Trump em 2018, o Irã intensificou seu programa de enriquecimento de urânio, atingindo níveis de até 60% de pureza. Este patamar está tecnicamente próximo ao necessário para a produção de armamentos nucleares.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirma que o país manteve um programa organizado de armas nucleares até 2003. Teerã, por sua vez, sustenta que seu programa atômico tem finalidades exclusivamente pacíficas.
No final de dezembro, durante encontro com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu na Flórida, Trump advertiu sobre possíveis novos ataques militares caso o Irã tente reconstruir seu programa nuclear.
Sobre possíveis negociações, o chanceler iraniano rejeitou imposições unilaterais que chamou de “ditames”, mas afirmou estar aberto a negociações, se elas se basearem no “respeito e em interesses mútuos”.
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