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Irã restringe internet em meio a protestos crescentes

Manifestações se espalham por províncias e elevam tensão interna e externa

O Irã registrou nesta quinta-feira (8) um apagão nacional da internet, segundo a ONG NetBlocks, que monitora redes de telecomunicações em tempo real. A interrupção ocorre em meio à maior onda de protestos no país em três anos, impulsionada pela crise econômica e pelo descontentamento com o regime da República Islâmica.

Relatos de moradores de Teerã, Mashhad e Isfahan indicam que manifestantes voltaram às ruas, entoando palavras de ordem contra os líderes clericais. Vídeos verificados por agências internacionais mostram forças de segurança utilizando gás lacrimogêneo para dispersar protestos, inclusive em áreas comerciais da capital.

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Segundo a NetBlocks, o país está submetido a um corte de internet em escala nacional, resultado de medidas de censura digital adotadas durante as manifestações. As autoridades iranianas não informaram as causas nem a extensão do apagão. A mídia estatal, por sua vez, afirmou que as cidades permanecem calmas.

Os protestos começaram em 28 de dezembro, quando comerciantes de Teerã se mobilizaram contra a desvalorização acelerada do rial e o aumento dos preços. Desde então, os atos se espalharam por 25 das 31 províncias iranianas, segundo levantamento da AFP, e passaram a incorporar críticas políticas ao regime.

De acordo com organizações de direitos humanos, o número de mortos varia conforme a fonte. A rede de ativistas Hrana afirma que ao menos 36 pessoas morreram entre 28 de dezembro e 7 de janeiro. Já a ONG Iran Human Rights, sediada na Noruega, estima 45 mortos, incluindo oito menores. Um levantamento baseado em dados oficiais aponta pelo menos 21 mortes, entre elas integrantes das forças de segurança. Centenas de pessoas teriam ficado feridas, e mais de 2 mil foram detidas.

Em meio ao agravamento da crise, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, pediu “moderação” às forças de segurança e defendeu diálogo com a população. Ele também advertiu fornecedores contra a estocagem e o aumento abusivo de preços, afirmando que o governo deve garantir o abastecimento e a fiscalização em todo o país.

O cenário ocorre sob forte pressão internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou um tom mais duro ao afirmar que o Irã será “atingido muito duramente” caso as forças de segurança passem a matar manifestantes. A declaração foi feita dias após ações militares dos EUA contra a Venezuela e meses depois de uma ofensiva conduzida por Washington e Israel contra instalações nucleares iranianas, elevando ainda mais a tensão regional.

Leia mais: Trump diz que mulher morta por agente do ICE “se comportou de maneira horrível”

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