As Forças Armadas do Irã restabeleceram o controle sobre o Estreito de Ormuz neste sábado (18/04). A decisão reverte a reabertura da via navegável anunciada anteriormente. Um porta-voz militar confirmou a medida à agência estatal Tasnim, vinculada à Guarda Revolucionária.
A reimposição das restrições ocorre em resposta à manutenção do bloqueio militar norte-americano aos portos iranianos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia declarado na sexta-feira (17/04) que o bloqueio continuaria em vigor.
Declarações oficiais sobre o impasse
Um porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbia comunicou que a gestão rigorosa da passagem marítima foi retomada. O militar afirmou que o bloqueio ao trânsito pelo estreito permanecerá enquanto as restrições americanas aos portos do país estiverem ativas.
“Como resultado, o controle sobre o Estreito de Ormuz foi restabelecido ao seu estado anterior, e essa via marítima estratégica está sob gestão e controle rigorosos das Forças Armadas”, declarou o porta-voz.
Trump escreveu em um post na rede Truth Social que as tropas americanas permanecerão na região até a conclusão das negociações com o Irã.
“O Estreito de Ormuz está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego, mas o bloqueio naval permanecerá em pleno vigor e efeito no que diz respeito ao Irã, somente, até que nossas negociações com o Irã estejam 100% concluídas.” “Esse processo deverá ser bastante rápido, visto que a maioria dos pontos já foi negociada”, escreveu o presidente americano.
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Cronologia dos acontecimentos
O bloqueio militar norte-americano está em vigor desde segunda-feira (13/04). Na sexta-feira (17/04), o Irã havia anunciado que fecharia a passagem caso os Estados Unidos mantivessem o bloqueio naval.
Três petroleiros iranianos deixaram o Golfo do Irã no início da sexta-feira. As embarcações transportaram 5 milhões de barris de petróleo bruto. Esses foram os primeiros carregamentos desde o bloqueio americano aos portos iranianos.
Dados do site de monitoramento do transporte marítimo Kpler mostraram que a circulação pelo estreito havia sido retomada mais cedo. Líderes da França, Emmanuel Macron, e do Reino Unido, Keir Starmer, reuniram colegas de dezenas de outros países no início da sexta-feira para debater planos para a reabertura do estreito. Os Estados Unidos não participaram da reunião.
Importância estratégica da via marítima
O Estreito de Ormuz fica entre os territórios do Omã e do Irã. A largura da via marítima não ultrapassa os 35 quilômetros em alguns trechos. O Irã detém a maior parte do território que margeia o estreito.
A passagem é a única via de saída pelo mar do Golfo Pérsico, onde ficam grandes produtores de petróleo. Navios que circulam pelo estreito costumam transportar cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro, o Irã fechou a passagem pelo Estreito de Ormuz. A interrupção do transporte pelo canal nas últimas semanas fez os preços da commodity dispararem no mercado mundial.
Em retaliação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel, o Irã ameaçou atacar qualquer navio que cruzasse o estreito. O país disparou contra algumas embarcações e implementou minas navais.
A reabertura do Estreito de Ormuz é uma das principais reivindicações dos EUA nas negociações por um acordo de paz entre os dois países. O Paquistão atua como mediador nas negociações.




