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Irã suspende execução de jovem preso em protestos e promete julgamentos rápidos

Organizações de direitos humanos denunciam falta de defesa e aumento da violência estatal

Por Redação TMC | Atualizado em
Veículos queimados em via de Teerã após distúrbios provocados pela grave crise econômica
Câmera Fotográfica Veículos queimados em via de Teerã após distúrbios provocados pela grave crise econômica (IRIB/WANA/Reuters)

O Irã adiou a execução do manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, que estava marcada para esta quarta-feira (14/01) e seria a primeira aplicação da pena de morte contra um opositor do regime desde o início da atual onda de protestos no país. A informação foi confirmada por organizações de direitos humanos que acompanham o caso.

Soltani foi preso no dia 8 de janeiro na cidade de Karaj, nos arredores de Teerã, após participar de manifestações. Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, a família havia sido informada da execução, que ocorreria por enforcamento. A organização Hengaw afirmou posteriormente que a execução foi adiada e disse manter contato com os parentes do jovem.

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De acordo com a IHR, Soltani não passou por um julgamento formal, não teve acesso a advogado e não há informações públicas sobre os crimes que lhe foram atribuídos. Especialistas e organizações internacionais afirmam que a execução rápida teria como objetivo intimidar os manifestantes.

O adiamento ocorre em meio à intensificação da repressão aos protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei. Segundo a IHR, o número de mortos já supera 3.400 pessoas, das quais 3.379 seriam manifestantes. O balanço se refere ao período de 8 a 12 de janeiro e foi elaborado com base em fontes do Ministério da Saúde iraniano. ONGs afirmam que o total real pode ser maior, já que o país enfrenta bloqueios à internet, o que dificulta a apuração.

Além das mortes, mais de 18 mil pessoas teriam sido presas, segundo a ONG norte-americana HRANA. Relatos de testemunhas e organizações de direitos humanos apontam o uso de força letal pelas forças de segurança e a ocorrência de execuções extrajudiciais.

O Judiciário iraniano anunciou que dará prioridade a “julgamentos rápidos” de presos acusados de violência durante as manifestações. O chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei, afirmou que a celeridade é necessária para desestimular novos protestos. As autoridades indicaram que os processos podem ser concluídos em menos de dois meses.

Leia mais: Irã leva queixa contra Trump à ONU em meio à escalada de protestos

A crise também provocou reação internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu que os manifestantes sigam protestando e afirmou que “a ajuda está a caminho”. Ele ameaçou adotar medidas duras caso o Irã execute manifestantes. Em resposta, Teerã acusou Washington de buscar uma mudança de regime e afirmou que atacará bases militares americanas no Oriente Médio se for bombardeado.

Os protestos começaram no fim de dezembro, motivados inicialmente pela crise econômica, e evoluíram para pedidos de queda da República Islâmica, que governa o Irã desde 1979.

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