O Exército israelense anunciou, no domingo (31 de maio), a tomada da fortaleza de Beaufort, no sul do Líbano. Junto ao avanço militar, Israel ordenou a evacuação de uma grande faixa de território entre sua fronteira e o rio Zahrani, aprofundando a ofensiva terrestre no país vizinho.
O local tem valor histórico e estratégico. Forças israelenses usaram Beaufort como base por duas décadas durante a ocupação do sul do Líbano, encerrada em 2000. Segundo o Exército israelense, o ponto é relevante para a defesa dos assentamentos da Galileia, no norte de Israel. A tomada abre caminho para um possível avanço em direção à região de Nabatieh.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, celebrou a operação com referência à história do local. Segundo ele, quarenta e quatro anos após a chamada Batalha de Beaufort, soldados retornaram ao topo e hastearam novamente a bandeira israelense. Katz afirmou ainda que as forças estão determinadas a destruir o poder do Hezbollah e garantir a segurança dos moradores do norte de Israel.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, reagiu em pronunciamento televisivo no domingo. Ele acusou Israel de adotar o que chamou de política de terra arrasada e de punição coletiva, e afirmou que essa postura não trará segurança nem estabilidade ao país. Ao mesmo tempo, Salam defendeu a continuidade do diálogo, descrevendo as negociações como o caminho menos custoso.
Desde o início do conflito, em 2 de março, as autoridades libanesas contabilizam mais de 3.371 mortos e mais de um milhão de deslocados. No sábado (30 de maio), o Exército israelense informou a morte de um soldado por ataque de drone atribuído ao Hezbollah. O total de israelenses mortos no Líbano chegou a 25, conforme o próprio Exército.
O Hezbollah reivindicou novos disparos de foguetes contra o norte de Israel. O grupo, apoiado pelo Irã, rejeita participar das negociações em curso.
Negociações marcadas para junho
Uma reunião em nível militar entre representantes de Beirute e Tel Aviv ocorreu na sexta-feira no Pentágono. Nova rodada de conversas está agendada para os dias 2 e 3 de junho, também em Washington, segundo a AFP.
O cessar-fogo firmado em 17 de abril segue sendo descumprido por ambos os lados. Para o cidadão libanês, o conflito já representa mais de dois meses de guerra contínua, com deslocamentos em massa e destruição de infraestrutura em regiões do sul do país.




