Itamaraty convoca Israel após vídeo de ativistas amarrados

Diplomata Rasha Athamni foi recebida pelo Itamaraty após ministro israelense divulgar imagens de interceptação de flotilha com quatro brasileiros

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Italian activists from the Gaza-bound Global Sumud Flotilla, detained by Israeli forces after their vessels were intercepted in international waters in the Mediterranean, gesture upon arrival at Fiumicino Airport, in Fiumicino, Italy, May 21, 2026. REUTERS/Remo Casilli TPX IMAGES OF THE DAY
Foto: Remo Casilli/Reuters

A chefe da embaixada de Israel no Brasil, Rasha Athamni, foi convocada pelo Itamaraty na tarde desta quinta-feira (21/05) para prestar esclarecimentos sobre imagens que mostram ativistas com as mãos amarradas e as testas encostadas no chão. A convocação ocorreu por volta das 16h, quando a diplomata foi recebida pelo embaixador Clélio Crippa, diretor do Departamento de Oriente Médio.

Quatro brasileiros estavam entre os ativistas interceptados durante operação contra flotilha que seguia rumo à Faixa de Gaza. As imagens foram divulgadas por Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional de Israel e figura da ultradireita do país.

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Em nota oficial divulgada na quarta-feira (20/05), o Itamaraty classificou o tratamento dispensado aos ativistas como degradante. Segundo o comunicado: “O governo brasileiro deplora o tratamento degradante e humilhante dispensado por autoridades israelenses, em particular pelo Ministro da Segurança Interna de Israel, Itamar Ben Gvir, aos participantes da Flotilha Global Sumud”.

A convocação da diplomata israelense representa um passo formal de protesto diplomático. Na prática, isso significa que o governo brasileiro considera o episódio grave o suficiente para exigir explicações diretas da representação de Israel no país.

Rasha Athamni comanda a embaixada israelense em Brasília como encarregada de negócios desde outubro de 2025. O posto de embaixador permanece vago desde a saída de Daniel Zonshine.

O diplomata Gali Dagan chegou a ser indicado para assumir a embaixada na capital brasileira, mas não recebeu o aval do Palácio do Planalto. Do lado brasileiro, a situação é similar: a embaixada em Tel Aviv está sem embaixador titular desde o começo de 2024.

A ausência de embaixadores em ambos os países reflete o agravamento das relações diplomáticas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o premiê Benjamin Netanyahu. Sem representantes de alto escalão, a capacidade de diálogo e resolução de crises fica comprometida.

O episódio da flotilha adiciona mais tensão a uma relação já fragilizada. A divulgação das imagens por um ministro da ultradireita israelense e a resposta formal do Brasil indicam que a crise pode se aprofundar ainda mais nos próximos dias.

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