Keiko Fujimori toma posse como presidente do Peru nesta terça-feira (28/07), marcando o retorno do fujimorismo ao poder 26 anos após o fim do governo de seu pai, Alberto Fujimori. A cerimônia será realizada no Congresso, em Lima, e contará com a presença de chefes de Estado e representantes de diversos países, entre eles o presidente da Argentina, Javier Milei.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participará do evento. O Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
A líder do partido Força Popular assume o mandato após derrotar o candidato de esquerda Roberto Sánchez por uma diferença de aproximadamente 50 mil votos no segundo turno, uma das disputas mais apertadas da história recente do país. O mandato vai até 2031.
Entre as autoridades confirmadas na posse estão o rei Felipe VI, da Espanha, os presidentes Javier Milei (Argentina), Daniel Noboa (Equador) e José Raúl Mulino (Panamá), além de representantes dos Estados Unidos, China, Japão e Coreia do Sul.
A presença de Milei é vista como um dos principais destaques diplomáticos da cerimônia. O presidente argentino tem reforçado a aproximação com governos conservadores da América Latina e foi um dos primeiros líderes da região a parabenizar Keiko pela vitória eleitoral. Além disso, ocorre em meio a uma tensão com Lula.
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Logo após a confirmação da vitória de Keiko, o líder argentino comemorou publicamente, afirmando que o Peru se somava ao bloco de países dispostos a se “plantar frente ao socialismo” e defender a liberdade na região. Sua agenda internacional prevê uma viagem a Bogotá na próxima semana para acompanhar a posse de Abelardo de la Espriella, outro líder de direita recém-eleito na Colômbia.
Já a ausência do petista ocorre em meio à agenda política brasileira, a poucos meses das eleições presidenciais. Além do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que era esperado por aliados peruanos, também não deverá comparecer ao evento.
Novo governo e retorno ao bicameralismo
A posse acontece em um momento de mudanças institucionais no Peru. O país retomou oficialmente o sistema bicameral, com Câmara dos Deputados e Senado, substituindo o modelo unicameral que vigorava desde 1993. A mudança é considerada a maior reforma política peruana das últimas décadas.
Há ironia histórica na mudança. O sistema bicameral peruano havia sido extinto em 1993 após o “autogolpe” de 1992 dado por Alberto Fujimori, pai de Keiko, que fechou o Congresso e impôs um Legislativo unicameral sob a justificativa de dar mais agilidade e força ao Executivo. Mais de 30 anos depois, é exatamente a reversão da principal herança política do pai que deve garantir à filha as condições institucionais para governar até 2031.
Antes mesmo da posse, o Força Popular conquistou uma vitória estratégica ao eleger, em aliança com outra legenda conservadora, a presidência do Senado. Apesar disso, Keiko não terá maioria absoluta no Congresso e dependerá de negociações para aprovar projetos, já que a oposição mantém força significativa na Câmara dos Deputados.
A nova presidente também definiu um dos principais nomes do governo. O vice-presidente Luis Galarreta será o presidente do Conselho de Ministros, equivalente ao cargo de primeiro-ministro. Os demais integrantes dos 19 ministérios devem ser anunciados após a cerimônia.
Keiko assume um país que enfrentou forte instabilidade política nos últimos dez anos, período em que o Peru teve oito presidentes. Entre as prioridades anunciadas estão o combate à criminalidade, com uso de tecnologias como inteligência artificial e reconhecimento facial, medidas para reduzir os impactos do fenômeno El Niño e políticas voltadas ao crescimento econômico.
Na área da educação, a presidente defende uma agenda de perfil mais conservador, com ênfase em valores familiares e patrióticos, tema que deve provocar debates no novo Congresso.




