O Brasil recusou pedidos de visto para dois funcionários do governo Trump que planejavam viajar ao país para colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, disseram à Reuters duas autoridades brasileiras a par do assunto.
As autoridades, que falaram sob condição de anonimato, afirmaram, neste sábado (25/07), que o plano dos EUA representava uma tentativa de influenciar a eleição presidencial de outubro, na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentará o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aliado de Trump.
O Brasil negou na sexta-feira o pedido de vistos à delegação dos EUA, que incluiria o secretário adjunto Riley M. Barnes, do Bureau de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado, e também Samuel Samson, um subsecretário adjunto, disseram as autoridades brasileiras.
Segundo o jornal americano The Washington Post, a visita estava programada para as semanas que antecedem o pleito presidencial agendado para 04/10.
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O movimento ocorre em um momento de tensão entre Washington e Brasília. As divergências envolvem liberdade de expressão, tarifas comerciais e o processo criminal em curso contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Contradição com 2022
A iniciativa destoa do comportamento adotado pelos próprios EUA em período recente. De acordo com o Washington Post, relatórios de inteligência americana produzidos em 2022 concluíram que o processo de votação no Brasil não apresentou qualquer irregularidade.
Naquele momento, Washington trabalhou ativamente para preservar a ordem democrática nas eleições brasileiras. Um alto funcionário do próprio Departamento de Estado desabafou ao The Washington Post sobre essa transformação: “Antigamente, mobilizávamos nosso poder em situações de risco para defender a democracia. Agora, enviamos nomeados políticos para desacreditar o sistema eleitoral de outro país”.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já desmentiu formalmente as acusações de que as urnas eletrônicas seriam vulneráveis a fraudes. Ainda assim, o pré-candidato Flávio Bolsonaro reproduziu essas alegações publicamente.
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Com informações da Reuters




