Um grupo atacou um hospital na província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo (RDC), quatro vezes em uma única noite. O objetivo era retirar o corpo de um sacerdote católico que havia morrido de ebola. Soldados precisaram disparar tiros de advertência para conter a invasão.
As autoridades informaram o ocorrido na segunda-feira. Segundo um funcionário da unidade médica, ouvido pela AFP, jovens lideraram as investidas contra o hospital. A vítima era uma figura religiosa de destaque em Mongbwalu, cidade que concentra o epicentro do atual surto.
Rituais funerários ampliam risco de contágio
O episódio expõe um dos maiores desafios no combate ao ebola na região: as práticas funerárias tradicionais. Jean Marie Ezadri, líder da sociedade civil em Ituri, explicou à AFP, na semana passada, que familiares costumam ter contato direto com os corpos durante os rituais. Segundo ele, parentes se aproximam dos cadáveres e das roupas dos mortos em cerimônias que reúnem muitas pessoas — condições que favorecem a disseminação do vírus.
Essa dinâmica complica o trabalho das equipes de saúde, que precisam isolar os corpos para evitar novos casos. A resistência das comunidades ao protocolo sanitário é recorrente em surtos de ebola na África Central.
Cepa sem vacina e 17º surto no país
O surto foi identificado pela primeira vez em Mongbwalu no dia 15 de maio. Desde então, o vírus matou mais de 200 pessoas na RDC. Trata-se do 17º surto de ebola registrado no país, que tem cerca de 100 milhões de habitantes.
A cepa em circulação é a Bundibugyo, para a qual não existe vacina nem tratamento eficaz aprovado. Isso torna o controle ainda mais dependente de medidas de isolamento, rastreamento de contatos e cooperação das comunidades locais — justamente o ponto mais frágil neste surto.




