Felipe Bueno
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Apresentador do TMC 360, Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem especializações em Relações Internacionais, Ética na Administração Pública, História da Arte e Marketing Digital.

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O continente da polarização

Enquanto Colômbia e Peru escolhem seus próximos líderes, a América do Sul vive um período de tensão política, crises recorrentes e incerteza democrática

Por Felipe Bueno | Atualizado em
O candidato à Presidência da Colômbia Abelardo De La Espriella, do movimento político Defensores da Pátria, gesticula ao discursar para apoiadores após a divulgação dos resultados do primeiro turno da eleição presidencial, em Barranquilla, Colômbia
(Foto: Charlie Cordero/Reuters)

Um tribunal de primeira instância proíbe um candidato de usar a camisa amarela da seleção em sua campanha eleitoral. Brasil? Não, Colômbia. E não param por aí as semelhanças entre os momentos atuais nos países da América do Sul com eleições presidenciais previstas para 2026.

Na Colômbia, a extrema-direita avança sobre problemas que o governo de esquerda de Gustavo Petro não soube resolver. No ano passado, um dos nomes cotados para a disputa, o senador Miguel Uribe Turbay, foi baleado com três tiros enquanto participava de um comício. A agonia da morte após mais de dois meses numa UTI ajudou a definir os rumos do pleito deste ano, em que o advogado Abelardo de la Espriella, o tal candidato que usa a amarelinha colombiana, foi o mais votado no primeiro turno.

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Analistas apontam que ele é o favorito para derrotar, no dia 21, o candidato do governo, Iván Cepeda. Ambos tiveram votação acima de 40%. A terceira colocada não chegou a 7%. Altíssimo nível de polarização. Já leu essa palavra em algum lugar?

Dependendo da comparação, porém, o país do vencedor do Prêmio Nobel de Literatura Gabriel García Márquez, que tanto descreveu a América Latina, seus governantes e seu povo, parece a mais tranquila das repúblicas. Seus eleitores não devem invejar o Peru, por exemplo, país que derrubou oito presidentes em uma década.

No primeiro turno, em abril, 35 candidatos estavam na briga, e o segundo colocado superou o terceiro por apenas 0,1% dos votos (cerca de 18 mil). Neste domingo, 7 de junho, a escolha será entre Keiko Fujimori, cujo sobrenome atrai tanto quanto repele eleitores por causa de seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori — que até o fim da vida carregou uma ficha com violações de direitos humanos, corrupção, espionagem e golpe de Estado — e o candidato de esquerda Roberto Sánchez.

Guerrilha, crime organizado, corrupção, crise institucional e problemas econômicos são comuns aos dois países. Em ambos, uma parte considerável da população não se identifica com os candidatos disponíveis e, pior, com o processo eleitoral. E há a sombra dos Estados Unidos: Donald Trump deixou claro no famoso 3 de janeiro passado, data da prisão de Nicolás Maduro, que a Colômbia poderia ter um fim parecido com o da Venezuela por causa do suposto envolvimento do governo Petro com o narcotráfico. Já o Peru incomoda Trump pela presença cada vez mais marcante da China na economia local.

Outros países da América do Sul, como Paraguai e Equador, têm escolhas regionais previstas para esse ano, que funcionarão como termômetros políticos para os futuros pleitos nacionais. Mas, depois deste junho emblemático — e, por que não dizer, depois também da Copa do Mundo —, o grande teste democrático do continente tem datas marcadas: as eleições dos dias 4 e 25 de outubro, no Brasil. A camisa amarela, por aqui, ainda pode ser usada em campanha. Por enquanto.

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