Uma fonte do governo iraniano afirmou neste domingo (18/01) à agência Reuters que ao menos 5.000 pessoas morreram durante a atual onda de protestos no país. Segundo o relato, cerca de 500 das vítimas seriam agentes de segurança. O funcionário, que pediu anonimato, atribuiu a escalada da violência ao que chamou de “terroristas” e disse que não se espera aumento significativo no número final de mortos.
De acordo com a mesma fonte, alguns dos confrontos mais intensos ocorreram em regiões curdas do noroeste do Irã, onde atuam grupos separatistas. As autoridades iranianas classificam os manifestantes como terroristas e acusam potências estrangeiras de apoiar os protestos.
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Os números oficiais, porém, não foram confirmados de forma independente. A ONG norte-americana HRANA informou no sábado (17/01) ter contabilizado 3.308 mortes, além de outros 4.382 casos ainda sob análise. A entidade também afirma ter confirmado mais de 24 mil prisões desde o início das manifestações. Já a Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, registra 3.428 manifestantes mortos pelas forças de segurança e alerta que o total pode ser maior. Um canal de oposição no exterior fala em até 12 mil mortes, citando fontes do governo e da segurança.
A verificação dos dados é dificultada pelo bloqueio quase total da internet imposto pelas autoridades desde o último dia 8. A organização Netblocks registrou uma “retomada muito leve” da conectividade após mais de 200 horas de corte, mas o tráfego segue em torno de 2% dos níveis normais, sem sinais de recuperação ampla.
Os protestos começaram em 28 de dezembro, inicialmente motivados pela crise econômica e pelo alto custo de vida, e se espalharam por todas as províncias do país. Com o avanço das manifestações, os atos passaram a incluir críticas diretas ao regime teocrático que governa o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979, tornando-se a maior ameaça ao sistema político em décadas.
No sábado (17/01), o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, defendeu uma resposta dura das autoridades e disse que o Estado tem a obrigação de “quebrar a espinha dorsal dos insurgentes”. Em discurso transmitido pela TV estatal, ele responsabilizou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas mortes ocorridas durante a repressão e afirmou que o país não perdoará “criminosos domésticos” nem “criminosos internacionais”.
O governo iraniano nega que forças de segurança tenham matado civis deliberadamente e sustenta que as mortes ocorreram por ações violentas dos próprios manifestantes. Teerã também acusa os Estados Unidos e aliados de infiltrarem agentes nos protestos, enquanto a repressão e as denúncias de violações de direitos humanos seguem gerando reação internacional.
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