O Peru se prepara para um dos desfechos eleitorais mais apertados de sua história recente. No próximo domingo (07/06) os eleitores voltam às urnas para decidir quem ocupará a Casa de Pizarro pelos próximos cinco anos. A disputa coloca frente a frente dois projetos antagônicos em um cenário de empate técnico: a conservadora Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez.
O Peru vive uma crise política crônica, tendo tido oito presidentes desde 2016. Enquanto Keiko promete ordem e continuidade, Sánchez aposta na ruptura e na justiça social para as comunidades mineradoras que permanecem pobres. O país, um dos maiores produtores de cobre do mundo, aguarda o resultado com investidores inquietos diante das propostas de reforma de Sánchez.
Confira quem são os candidatos que disputam a presidência:
Keiko Fujimori (Força Popular)
Aos 51 anos, a filha do ex-ditador Alberto Fujimori chega à sua quarta tentativa de alcançar a presidência. Líder do partido Força Popular, Keiko representa a direita conservadora e defende a manutenção do modelo econômico atual, pautado na Constituição de 1993 — redigida durante o governo de seu pai.
- Desempenho: Venceu o primeiro turno com cerca de 17% dos votos.
- Plataforma: Foca na estabilidade econômica e na experiência política, buscando atrair o voto de quem teme mudanças radicais no Estado.
- O peso do passado: Sua candidatura ainda carrega o legado polarizador do “fujimorismo”, o que explica a resistência de parte do eleitorado que a derrotou em 2021.
Roberto Sánchez (Juntos pelo Peru)
O congressista de 57 anos é a grande surpresa deste pleito. Ex-ministro do Comércio Exterior de Pedro Castillo (o presidente destituído e preso em 2022), Sánchez conseguiu unir a esquerda e o voto rural/indígena sob a promessa de uma “refundação” do país.
- Desempenho: Garantiu a vaga no segundo turno por uma margem mínima, obtendo 12% dos votos e superando o terceiro colocado por apenas 18 mil votos.
- Propostas Radicais: Defende a convocação de uma Assembleia Constituinte para criar um Estado “plurinacional” e quer maior controle estatal sobre recursos naturais, como mineração e gás.
- Controvérsias: Sánchez faz campanha sob investigação do Ministério Público por supostos crimes eleitorais e falsificação de informações sobre contribuições de campanha, acusações que ele nega veementemente.
O que dizem os números?
A última pesquisa da CB Consultora mostra um cenário de equilíbrio absoluto:
- Keiko Fujimori: 38,6%
- Roberto Sánchez: 36,5%
Com a margem de erro de 2,5 pontos percentuais, a eleição está tecnicamente empatada. Além disso, o alto índice de indecisos (9,8%) e de votos brancos ou nulos (15,1%) deve ser o fiel da balança no domingo.




