O número de mortos nos protestos que ocorrem no Irã subiu para pelo menos 538, conforme dados divulgados pela Reuters, neste domingo (11/01), com informações da ONG HRANA. Com sede nos Estados Unidos, a entidade monitora violações de direitos humanos no país que vive sob o regime teocrático dos aiatolás.
Mais cedo, a ONG Iran Human Rights (Irã Direitos Humanos, em tradução para o português), sediada na Noruega, atualizou a contagem para 192. As organizações alegam que o número real de vítimas pode ser maior, considerando que o corte de internet no país dificulta a verificação completa das informações.
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O Irã enfrenta uma onda de manifestações, iniciada nos últimos dias de dezembro de 2025, contra o regime liderado pelo líder supremo do país, Ali Khamenei.
O chefe da polícia iraniana reconheceu que “o nível de confronto contra os manifestantes se intensificou”, enquanto o governo acusa potências estrangeiras de interferência nos protestos que se espalharam por diversas regiões do país.
Maior tensão desde 2022
As manifestações atuais representam o maior movimento de contestação ao regime desde os protestos de 2022, após a morte de Mahsa Amini, detida pela polícia moral iraniana por, supostamente, violar o código de vestimenta feminino.
Em pronunciamento na sexta-feira (9), o líder supremo do país, Ali Khamenei, descreveu os manifestantes como “vândalos” e “sabotadores”. O presidente Masoud Pezeshkian, por sua vez, pediu que a população se mantenha afastada do que chamou de “terroristas e badernistas” que tentam “semear caos e desordem”.
Ali Larijani, conselheiro do aiatolá e chefe da principal agência de segurança do Estado, declarou que o Irã está “em plena guerra” e que alguns “incidentes” foram “orquestrados no exterior”. A Guarda Revolucionária do Irã, força militar dedicada à defesa do regime, afirmou que a proteção da segurança nacional é um ponto inegociável.
Ameaça de Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou intervir, caso o regime mate manifestantes pacíficos. O americano disse que o povo iraniano está “buscando a liberdade” e que a Casa Branca está pronta para ajudar.
Em resposta às declarações de Trump, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, advertiu: “Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos”.
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Enquanto Pezeshkian declarou que o governo está disposto a “ouvir seu povo” e determinado a resolver questões econômicas, Khamenei afirmou que seu governo “não vai recuar” diante dos protestos.
Não há informações precisas sobre o número de pessoas detidas durante os protestos nem sobre quais medidas específicas o governo iraniano pretende adotar para conter as manifestações nos próximos dias.
