Donald Trump acusou o papa Leão 14 de colocar católicos e outras pessoas em perigo por causa da posição do pontífice sobre o Irã. O presidente dos Estados Unidos fez as declarações em entrevista ao radialista conservador Hugh Hewitt na segunda-feira (04/05). O líder da Igreja Católica respondeu nesta terça-feira (05/05), afirmando que continuará pregando a paz.
“Acho que ele está colocando em perigo muitos católicos e muitas pessoas. Mas acho que, se depender do papa, ele acha que está tudo bem o Irã ter uma arma nuclear”, afirmou Trump durante a entrevista. O pontífice nunca defendeu que Teerã tenha armamento nuclear.
Leão 14 respondeu às acusações do presidente americano. “A missão da Igreja é pregar o Evangelho, pregar a paz. Se alguém quiser me criticar por pregar o Evangelho, espero simplesmente ser ouvido por causa do valor da palavra de Deus”, declarou.
As acusações fazem parte de uma série de ataques que Trump dirige ao papa devido ao posicionamento do líder católico contrário à guerra no Irã. Em abril, o presidente americano chamou o pontífice de fraco. Trump afirmou que Leão 14 não deveria se concentrar em ser político. O presidente também compartilhou imagens geradas por inteligência artificial em que aparecia como Jesus Cristo.
Leão 14 emergiu nas últimas semanas como um crítico do governo Trump. O papa afirmou que Deus rejeita orações de líderes que praticam guerras. O pontífice pediu o fim dos conflitos. Leão 14 é o primeiro americano da história a liderar a Igreja Católica. Ele também se naturalizou peruano.
Durante seu primeiro ano como líder da Igreja Católica, Leão 14 manteve um perfil relativamente discreto no cenário global. Nas últimas semanas, o pontífice intensificou suas críticas ao governo americano.
O Vaticano anunciou que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, se reunirá com o papa na próxima quinta-feira (07/05). O encontro acontecerá na Santa Sé para amenizar as tensões e tratar de interesses em comum. Junto a eles estará o cardeal Pietro Parolin, principal diplomata do Vaticano.
Este será o segundo encontro de Rubio com Leão 14. Em 2025, o secretário de Estado e o vice-presidente americano, J. D. Vance, participaram da missa de posse do papa. Os dois tiveram uma reunião privada com ele no dia seguinte. Durante o encontro, Rubio e Vance convidaram o pontífice para visitar a Casa Branca. Ambos são católicos.
Após as críticas de Trump, Vance afirmou que o papa deveria tomar cuidado ao misturar teologia e guerra.
De acordo com o embaixador americano no país, Brian Burch, Rubio espera ter uma reunião franca. “Nações têm divergências, e acho que uma das maneiras de resolver isso é por meio da fraternidade e do diálogo autêntico”, disse Burch. O embaixador negou a ideia de existir ruptura profunda entre Washington e a Santa Sé.
Quando questionado por jornalistas sobre a última declaração de Trump, o cardeal Pietro Parolin afirmou que o pontífice continuará fazendo seu trabalho. “O papa continua em seu caminho, no sentido de pregar o Evangelho, de pregar a paz —como diria São Paulo— em tempo oportuno e inoportuno”, declarou.
Rubio também se encontrará com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e o ministro de Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, na sexta-feira (08/05).
Meloni faz duras críticas a Washington desde sua entrada na guerra. A primeira-ministra italiana declarou apoio direto a Leão 14. “O papa é o chefe da Igreja Católica, e é correto e normal que ele peça a paz e condene todas as formas de guerra”, escreveu Meloni num comunicado divulgado em abril. A primeira-ministra foi uma das principais apoiadoras de Trump. Ela mudou sua posição após a entrada dos Estados Unidos na guerra.
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