Trump faz 7 afirmações falsas em 1 hora, diz presidente do Parlamento do Irã

Mohammad Bagher Ghalibaf adverte que Estreito de Ormuz será fechado caso Washington mantenha bloqueio naval no Mar Arábico ativo desde 13 de abril

Por Redação TMC | Atualizado em
Em abril de 2026, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, se reuniu com o chefe do exército paquistanês, Asim Munir, em Teerã, Irã (Foto: WANA/Agência de Notícias da Ásia Ocidental/Reuters)
Em abril de 2026, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, se reuniu com o chefe do exército paquistanês, Asim Munir, em Teerã, Irã (Foto: WANA/Agência de Notícias da Ásia Ocidental/Reuters)

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ter feito sete afirmações falsas no intervalo de 60 minutos. A declaração foi publicada nesta sexta-feira (18/04) na rede social X. Ghalibaf alertou que o Estreito de Ormuz será fechado caso Washington mantenha o bloqueio naval no Mar Arábico, ativo desde segunda-feira (13/04).

“O presidente dos Estados Unidos fez sete afirmações em uma hora, todas as sete são falsas”, escreveu Ghalibaf. O parlamentar iraniano afirmou que os Estados Unidos não vencerão a guerra com “essas mentiras” e tampouco obterão êxito nas negociações. Ghalibaf reiterou a advertência sobre o fechamento do Estreito de Ormuz caso o bloqueio naval norte-americano persista.

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Disputa sobre continuidade do bloqueio militar

A tensão entre Teerã e Washington se intensificou após Trump anunciar que o bloqueio continuará mesmo com o Irã declarando a reabertura total da rota marítima. O presidente norte-americano condicionou a retirada das tropas à conclusão das negociações com o Irã.

“O Estreito de Ormuz está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego, mas o bloqueio naval permanecerá em pleno vigor e efeito no que diz respeito ao Irã, somente, até que nossas negociações com o Irã estejam 100% concluídas. Esse processo deverá ser bastante rápido, visto que a maioria dos pontos já foi negociada”, publicou Trump.

A agência estatal iraniana Fars, vinculada à Guarda Revolucionária do Irã, classificou o anúncio de Trump como “chantagem”. A agência publicou um post no Telegram com captura de tela do texto escrito pelo presidente norte-americano.

A Fars caracterizou o anúncio de reabertura do Estreito de Ormuz como incompleto. A agência afirmou que a passagem será fechada caso o bloqueio dos EUA na região continue.

Uma autoridade iraniana ouvida pela agência de notícias Fars fez declarações alinhadas com as de Ghalibaf na sexta-feira (18/04).

O governo iraniano admitiu não ter conhecimento preciso sobre a localização de todas as minas navais instaladas no Estreito de Ormuz. A declaração ocorreu após Trump afirmar nesta sexta-feira (18/04) que Washington “estão trabalhando com o Irã para retirar as minas (navais)” da região.

As autoridades iranianas orientaram que as embarcações naveguem exclusivamente pelas rotas consideradas seguras, conforme indicação da Organização dos Portos iraniana. A recomendação foi emitida diante da incerteza sobre a localização exata dos artefatos explosivos.

A Marinha norte-americana divulgou comunicado direcionado aos navegantes da área alertando que a “ameaça representada por minas em partes do Estreito de Ormuz não é totalmente compreendida, e recomenda-se que os navios evitem a área”.

O Irã implementou as minas navais como retaliação aos ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel. O país também ameaçou atacar qualquer navio que cruzasse o estreito. Algumas embarcações foram alvejadas.

Desde o início da atual guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro, o Irã fechou a passagem pelo Estreito de Ormuz. A via é a única saída pelo mar do Golfo Pérsico, onde ficam grandes produtores de petróleo.

Retomada da circulação de petróleo

Dados do site de monitoramento do transporte marítimo Kpler mostraram que a circulação pelo estreito havia sido retomada. Três petroleiros iranianos deixaram o Golfo do Irã transportando 5 milhões de barris de petróleo bruto. Esses foram os primeiros carregamentos desse tipo desde o bloqueio dos EUA aos portos iranianos, implementado na segunda-feira (13/04).

Pelo Estreito de Ormuz circulam navios transportando cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo. A interrupção do transporte pelo canal nas últimas semanas fez os preços da commodity dispararem no mercado mundial.

O Estreito de Ormuz está localizado entre os territórios do Omã e do Irã. A via marítima possui largura que não ultrapassa os 35 quilômetros em alguns trechos. O Irã detém a maior parte do território que margeia o estreito.

A reabertura do Estreito de Ormuz é uma das principais reivindicações dos EUA nas negociações por um acordo de paz entre os dois países. As negociações estão sendo mediadas pelo Paquistão.

No começo da sexta-feira (18/04), os líderes da França, Emmanuel Macron, e do Reino Unido, Keir Starmer, reuniram colegas de dezenas de outros países para debater planos para a reabertura do estreito. Os Estados Unidos não participaram do encontro.

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