O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ter feito sete afirmações falsas no intervalo de 60 minutos. A declaração foi publicada nesta sexta-feira (18/04) na rede social X. Ghalibaf alertou que o Estreito de Ormuz será fechado caso Washington mantenha o bloqueio naval no Mar Arábico, ativo desde segunda-feira (13/04).
“O presidente dos Estados Unidos fez sete afirmações em uma hora, todas as sete são falsas”, escreveu Ghalibaf. O parlamentar iraniano afirmou que os Estados Unidos não vencerão a guerra com “essas mentiras” e tampouco obterão êxito nas negociações. Ghalibaf reiterou a advertência sobre o fechamento do Estreito de Ormuz caso o bloqueio naval norte-americano persista.
Disputa sobre continuidade do bloqueio militar
A tensão entre Teerã e Washington se intensificou após Trump anunciar que o bloqueio continuará mesmo com o Irã declarando a reabertura total da rota marítima. O presidente norte-americano condicionou a retirada das tropas à conclusão das negociações com o Irã.
“O Estreito de Ormuz está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego, mas o bloqueio naval permanecerá em pleno vigor e efeito no que diz respeito ao Irã, somente, até que nossas negociações com o Irã estejam 100% concluídas. Esse processo deverá ser bastante rápido, visto que a maioria dos pontos já foi negociada”, publicou Trump.
A agência estatal iraniana Fars, vinculada à Guarda Revolucionária do Irã, classificou o anúncio de Trump como “chantagem”. A agência publicou um post no Telegram com captura de tela do texto escrito pelo presidente norte-americano.
A Fars caracterizou o anúncio de reabertura do Estreito de Ormuz como incompleto. A agência afirmou que a passagem será fechada caso o bloqueio dos EUA na região continue.
Uma autoridade iraniana ouvida pela agência de notícias Fars fez declarações alinhadas com as de Ghalibaf na sexta-feira (18/04).
O governo iraniano admitiu não ter conhecimento preciso sobre a localização de todas as minas navais instaladas no Estreito de Ormuz. A declaração ocorreu após Trump afirmar nesta sexta-feira (18/04) que Washington “estão trabalhando com o Irã para retirar as minas (navais)” da região.
As autoridades iranianas orientaram que as embarcações naveguem exclusivamente pelas rotas consideradas seguras, conforme indicação da Organização dos Portos iraniana. A recomendação foi emitida diante da incerteza sobre a localização exata dos artefatos explosivos.
A Marinha norte-americana divulgou comunicado direcionado aos navegantes da área alertando que a “ameaça representada por minas em partes do Estreito de Ormuz não é totalmente compreendida, e recomenda-se que os navios evitem a área”.
O Irã implementou as minas navais como retaliação aos ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel. O país também ameaçou atacar qualquer navio que cruzasse o estreito. Algumas embarcações foram alvejadas.
Desde o início da atual guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro, o Irã fechou a passagem pelo Estreito de Ormuz. A via é a única saída pelo mar do Golfo Pérsico, onde ficam grandes produtores de petróleo.
Retomada da circulação de petróleo
Dados do site de monitoramento do transporte marítimo Kpler mostraram que a circulação pelo estreito havia sido retomada. Três petroleiros iranianos deixaram o Golfo do Irã transportando 5 milhões de barris de petróleo bruto. Esses foram os primeiros carregamentos desse tipo desde o bloqueio dos EUA aos portos iranianos, implementado na segunda-feira (13/04).
Pelo Estreito de Ormuz circulam navios transportando cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo. A interrupção do transporte pelo canal nas últimas semanas fez os preços da commodity dispararem no mercado mundial.
O Estreito de Ormuz está localizado entre os territórios do Omã e do Irã. A via marítima possui largura que não ultrapassa os 35 quilômetros em alguns trechos. O Irã detém a maior parte do território que margeia o estreito.
A reabertura do Estreito de Ormuz é uma das principais reivindicações dos EUA nas negociações por um acordo de paz entre os dois países. As negociações estão sendo mediadas pelo Paquistão.
No começo da sexta-feira (18/04), os líderes da França, Emmanuel Macron, e do Reino Unido, Keir Starmer, reuniram colegas de dezenas de outros países para debater planos para a reabertura do estreito. Os Estados Unidos não participaram do encontro.




