O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (23/04) que ordenou à Marinha norte-americana atacar e destruir embarcações que estejam colocando minas marítimas no Estreito de Ormuz.
A determinação foi divulgada pelo próprio presidente em suas redes sociais, em meio à prorrogação do cessar-fogo com o Irã e ao impasse nas negociações diplomáticas. Poucas horas depois, Trump disse que os EUA têm “controle total” sobre o estreito de Ormuz, sem fornecer nenhuma evidência.
A ordem presidencial estabelece que a Marinha dos Estados Unidos deve destruir qualquer embarcação flagrada lançando minas nas águas do Estreito, independentemente do tamanho. Trump determinou que não deve haver hesitação na execução dessa ordem militar.
Segundo o presidente, navios caça-minas norte-americanos já estão realizando operações de limpeza no Estreito. Trump ordenou que essa atividade prossiga com intensidade três vezes maior do que a atual.
Na postagem, Trump escreve: “Ordenei à Marinha dos Estados Unidos que atire e destrua qualquer embarcação, por menor que seja (todos os seus navios, 159 deles, estão no fundo do mar!), que esteja lançando minas nas águas do Estreito de Ormuz. Não deve haver hesitação. Além disso, nossos navios caça-minas estão limpando o Estreito neste momento. Por meio deste, ordeno que essa atividade continue, mas em escala triplicada! Agradeço a sua atenção a este assunto. Presidente DONALD J. TRUMP”
O presidente mencionou em sua publicação que 159 navios estão no fundo do mar. A ordem se refere especificamente ao Estreito de Ormuz, região estratégica para o transporte marítimo internacional.
Bloqueio naval e operações em curso
Na noite de quarta-feira (22/04), o Comando Central dos EUA informou que redirecionou 31 embarcações para retornarem ao porto, ou seja, para darem meia-volta, como parte do bloqueio naval em curso contra o Irã. A maioria das embarcações era de petroleiros.
Enquanto as forças armadas dos Estados Unidos interceptam e redirecionam embarcações em seu bloqueio naval contínuo aos portos iranianos, o cronograma da guerra permanece incerto devido ao impasse diplomático.
Uma fonte afirmou que oficiais do Pentágono informaram parlamentares sobre uma avaliação de inteligência que concluiu que a remoção completa das minas do Estreito de Ormuz após o fim da guerra com o Irã poderia levar até seis meses. Um porta-voz do Pentágono declarou que um fechamento de seis meses seria “inaceitável”.
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Cessar-fogo prorrogado e diplomacia em suspenso
Trump prorrogou o cessar-fogo com o Irã após o impasse nas negociações diplomáticas com Teerã e aguarda uma proposta para negociar o fim da guerra. O presidente americano afirmou na quarta-feira que não há “prazo definido” para o conflito, rebatendo as alegações de que considerações políticas estariam influenciando sua abordagem.
Embora as negociações de paz entre os EUA e o Irã tenham sido canceladas no Paquistão esta semana, as atenções se voltam agora para Israel e Líbano, que se preparam para uma segunda rodada de negociações em Washington nesta quinta-feira (23/04).
Um porta-voz de Trump disse que ele não considera a alegação do Irã de ter apreendido dois navios no Estreito de Ormuz como uma violação do cessar-fogo.
Pela quinta vez este ano, o Senado rejeitou uma medida que visava restringir os poderes de guerra de Trump, exigindo aprovação do Congresso para qualquer futura ação militar no Irã. A medida não avançou, por 46 votos a 51.
Washington sediou uma segunda rodada de negociações entre Israel e Líbano, nesta quarta-feira (22/04), na esperança de estender uma trégua frágil. As negociações acontecem um dia depois da morte da jornalista libanesa Amal Khalil em um ataque aéreo israelense no sul do Líbano, segundo autoridades libanesas.




