Quem tem viagem marcada para a Europa nas próximas semanas pode precisar de mais paciência. Um novo sistema de controle de fronteiras da União Europeia já provoca filas de até cinco horas em alguns aeroportos e levou companhias aéreas e operadores aeroportuários a pedir mudanças urgentes às autoridades europeias.
O problema está no Entry/Exit System (EES), novo sistema eletrônico que registra a entrada e a saída de viajantes de países de fora da União Europeia, como o Brasil. Na primeira entrada no Espaço Schengen, o passageiro precisa cadastrar dados biométricos, como fotografia facial e impressões digitais, além das informações do passaporte. O objetivo é substituir os tradicionais carimbos e reforçar o controle das fronteiras.
Na prática, porém, a implementação tem sido mais lenta do que o esperado. Segundo entidades do setor aéreo, os equipamentos automáticos e os sistemas de pré-cadastro ainda apresentam dificuldades para processar o grande volume de passageiros.
As consequências já começaram a aparecer. Representantes da indústria afirmam que alguns viajantes aguardam horas para passar pela imigração e que, em determinadas situações, aviões precisaram decolar com assentos vazios porque passageiros não conseguiram chegar ao portão de embarque a tempo.
Diante do cenário, organizações como a ACI Europe, que representa os aeroportos do continente, a Airlines for Europe (A4E) e a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) pediram à Comissão Europeia autorização para que os aeroportos possam suspender temporariamente parte das verificações biométricas quando houver risco de colapso operacional.
A preocupação aumenta porque o verão europeu está apenas começando. A expectativa do setor é de que cerca de 40 milhões de passageiros a mais passem pelos aeroportos da União Europeia em julho e agosto, na comparação com os dois meses anteriores, pressionando ainda mais os controles de fronteira.
A Comissão Europeia defende que o novo sistema é fundamental para aumentar a segurança, combater fraudes documentais e identificar estrangeiros que permanecem no bloco além do período permitido. Mesmo assim, o setor aéreo afirma que a tecnologia precisa ganhar mais agilidade para evitar prejuízos aos passageiros.
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Para os brasileiros que pretendem viajar à Europa, a recomendação é chegar ao aeroporto com maior antecedência, acompanhar as orientações da companhia aérea e estar preparado para um processo de imigração mais demorado do que o habitual.
O desafio da União Europeia agora é equilibrar segurança e eficiência. Caso contrário, um sistema criado para modernizar as fronteiras poderá transformar o período mais movimentado do turismo europeu em uma temporada de longas filas e atrasos.




