Empresas de aviação internacionais interromperam voos para o Oriente Médio neste sábado (28/02), após ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. No Brasil, dois voos foram afetados até o momento da publicação desta reportagem.
A Cirium, empresa referência global em análise de dados de aviação, informou que as operadoras suspenderam cerca de 40% dos voos para Israel. As suspensões atingiram aproximadamente 6,7% das operações programadas para outras localidades da região.
Acompanhe tudo o que acontece no Brasil e no mundo: siga a TMC no WhatsApp
A agência de aviação da União Europeia emitiu alerta de zona de conflito. A entidade orientou as companhias aéreas a suspenderem as operações sobre o Oriente Médio e o Golfo Pérsico até segunda-feira (02/03).
O comunicado da agência europeia indicou que os riscos elevados não se restringem ao espaço aéreo iraniano. Países vizinhos que abrigam bases militares dos Estados Unidos também apresentam perigo para as operações aéreas. Israel, Irã, Emirados Árabes e Catar fecharam seus espaços aéreos após o início do conflito, provocando impactos em rotas internacionais e obrigando empresas a redirecionar ou cancelar operações.
Impactos no Brasil
Segundo a assessoria do Aeroporto de Guarulhos, dois voos internacionais que partiram do Aeroporto Internacional de Guarulhos foram impactados pelos ataques ao Irã, das companhias aéreas Emirates e Qatar.
Eles decolaram nesta madrugada a caminho de Dubai e Doha, mas estão retornando ao aeroporto. Não há registros de outros cancelamentos de voos que partem do Brasil com destino à região.
Leia mais: Brasil condena ataque de EUA e Israel ao Irã e defende negociação diplomática
Companhias afetadas
As seguintes companhias internacionais anunciaram suspensão de voos: Air France, Air India, British Airways, Iberia Express, Índigo, Japan Airlines, LOT Airlines, Lufthansa, Norwegian Air, Turkish Airlines, Virgin Atlantic, Qatar Airways, Ar Argélia, além companhias aéreas escandinavas, Wizz Air, companhia aérea Pegasus e ITA Airways.
Segundo a Associated Press, a Emirates informou que vários de seus voos foram afetados pelo fechamento do espaço aéreo dos Emirados Árabes Unidos e orientou os passageiros a verificarem o status de seus voos online. A companhia tem como base o Aeroporto Internacional de Dubai, o hub mais movimentado do mundo para viagens internacionais.
A Virgin Atlantic cancelou seu voo do Aeroporto de Heathrow, em Londres, para Dubai e informou que evitaria sobrevoar o Iraque, o que significa que voos de e para Índia, Maldivas, Dubai e Riad poderiam levar um pouco mais de tempo. A companhia já não estava sobrevoando o Irã. A Virgin Atlantic também afirmou que todos os voos levariam combustível adequado caso precisassem ser redirecionados em curto prazo.
A Turkish Airlines informou, na rede social X, que suspendeu até segunda-feira os voos para Líbano, Síria, Iraque, Irã e Jordânia. Já as operações para Catar, Kuwait, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Omã foram canceladas no sábado. A companhia acrescentou que novos cancelamentos podem ser anunciados.
A ITA Airways suspendeu os voos de e para Tel Aviv até 7 de março, informou a Reuters. A empresa também informou que deixará de utilizar o espaço aéreo de Israel, Líbano, Jordânia, Iraque e Irã até essa data. Além disso, os voos de e para Dubai estão suspensos até 1º de março.
Entenda o conflito
Os Estados Unidos e Israel executaram uma operação militar conjunta contra o Irã neste sábado (28/02). Explosões foram registradas em Teerã e em outras quatro cidades iranianas. O regime iraniano respondeu com lançamento de mísseis contra território israelense e instalações norte-americanas no Oriente Médio.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que o objetivo do ataque é destruir o programa nuclear iraniano e proteger o povo americano de ameaças. Militares dos EUA afirmam que ação pode durar dias.
A pressão americana sobre o Irã ganhou força no início do ano, após uma onda de protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei. O governo iraniano reagiu aos atos com forte repressão, deixando milhares de manifestantes mortos.
À época, Trump ameaçou o regime com uma ação militar caso a “matança” continuasse, mas os atos enfraqueceram diante da repressão brutal. O presidente dos EUA passou então a exigir um acordo nuclear – foi quando começaram as negociações.
Leia mais: Ataques ao Irã ampliam tensão regional e indicam tentativa de mudança de regime
