O Corinthians vota nesta quarta-feira a reforma do estatuto. Ou, pelo menos, tenta votar. Porque na última reunião também era pra votar… e não votaram. Teve discussão, questionamento de condução, gente levantando a voz e, no fim, nada andou.
Quem acompanha o Corinthians há mais tempo sabe que isso não é exatamente novidade. Quando o assunto é política interna, o clube raramente decepciona. Sempre dá um jeito de complicar o que já não era simples.
E não estamos falando de qualquer mudança. Estatuto é regra do jogo. Define poder, define processo, define quem decide o quê lá dentro. Não é detalhe. Por isso mesmo o clima pesa. E pesou já na reunião passada.
De lá pra cá, o que se ouviu foi o de sempre: articulação de bastidor, tentativa de convencer conselheiro, grupo se organizando de um lado, outro grupo reagindo do outro. Nada muito diferente do que já aconteceu outras vezes. Só que agora com mais tensão acumulada.
Entre os principais pontos da reforma estão mudanças importantes, como a possibilidade de participação do Fiel Torcedor em votações, a alteração do mandato do presidente de três para quatro anos, e também regras mais rígidas dentro do clube, como a proibição de empregar parentes de conselheiros no Parque São Jorge. Ou seja, não é só ajuste de detalhe. É mudança que mexe diretamente na forma como o Corinthians funciona por dentro.
A expectativa é que hoje a votação aconteça de fato. Mas, sendo bem direto, ninguém deveria se surpreender se tiver mais discussão antes de chegar no voto. Porque o problema nunca foi só o estatuto. É o Corinthians. E o Corinthians, quando entra nesse tipo de assunto, quase sempre arruma um jeito de transformar uma reunião em novela.
No fim, mais do que o texto em si, o que está em jogo hoje é o momento político do clube. E isso, historicamente, costuma ser bem mais complicado de resolver do que qualquer artigo de estatuto.