O perito do Ministério Público do Rio Luiz Carlos Leal Prestes descartou a hipótese de que Henry Borel chegou vivo ao hospital Barra D’or, para onde foi levado pelo ex-vereador Jairinho e Monique Medeiros – padrasto e mãe do menino, de 4 anos. Ainda segundo o profissional, Henry morreu de duas a três horas antes de ser atendido na unidade.
Ao perito, foi exibida a imagem de Henry no elevador, na madrugada de 8 de março de 2021, onde a criança aparenta estar desfalecida no colo de Monique. As gravações foram feitas momentos antes da chegada ao Barra D’or. Prestes garante que ali o menino já estava sem vida.
“Ele está com flacidez muscular, sem qualquer movimentação… Isso indica que a criança já estava incosciente”
Em depoimento à Justiça, nesta sexta-feira, Prestes ainda afirmou “houve um homicídio por espancamento” e que “a morte foi lenta e agônica”, o que causou sofrimento ao Henry. O perito destacou três lesões sofridas pelo menino em regiões diferentes na cabeça, que foram descobertas no exame cadavérico.
“Falar de acidente doméstico é uma coisa fantasiosa. Um acidente no máximo poderia causar uma ou duas lesões em uma localização muito próxima. E para uma criança de quatro anos cair da cama, ela já tem reflexos para colocar a mão na frente, se defender. Teve lesão próxima ao rim direito, fruto de ação contundente na região lombar”, disse.
O perito também explicou as lesões constatadas no corpo de Henry Borel causadas pelo atendimento médico na tentativa de ressuscitá-lo, como na “asa” do nariz, pelo atrito do tubo de entubação.
“17 das lesões foram feitas em um contexto de violência. São lesões que não têm sangramento, lesões típicas realizadas durante a manobra de ressuscitação, ele já estava sem vida. Essa rigidez muscular na mandíbula começa a se instalar a partir da primeira hora de morte”, afirmou.
As declarações de Luiz Prestes enfraquecem a estratégia de defesa de Jairinho. Os advogados do ex-vereador alegam que as lesões que levaram o menino à morte foram causadas pelo hospital durante as manobras de ressuscitação.
Monique Medeiros, mãe de Henry, passou mal durante o depoimento e precisou de atendimento médico do 2º Tribunal do Júrida Capital. De acordo com o Tribunal de Justiça do estado, ela ficou abatida ao ver as imagens do corpo do menino.




