Ademir Paulino, um dos principais treinadores de corrida do Brasil com mais de 600 alunos sob sua orientação, participou do programa Corre TMC, apresentado por Mirelle Moschella e André Galvão. Na entrevista, o treinador revelou detalhes de sua trajetória no esporte e seu projeto no Quênia, onde trabalha com corredores da tribo dos Kalendins, conhecida por formar atletas de elite.
Paulino iniciou sua jornada na corrida aos 10 anos, inspirado pelas transmissões da São Silvestre que assistia em família. Suas primeiras corridas foram ao lado de um amigo, até ser notado por um vizinho que o convidou para o único grupo de corrida existente no Parque Ibirapuera na época, fato que definiu sua vocação esportiva.
“Naquele momento, lá atrás, a gente tinha vergonha de correr na rua, porque era um esporte que não era conhecido, uma roupa diferente, você correndo na rua, todo o preconceito que existia”, explica Ademir. Ele destaca que, diferentemente da atualidade, naquela época apenas pessoas vocacionadas praticavam o esporte, sem a visão atual de melhoria da qualidade de vida.
Em 1994, o treinador expandiu sua atuação para o triatlo, modalidade que praticou até ingressar na faculdade em 1998. Após concluir seus estudos, trabalhou como triatleta profissional até aproximadamente 2007-2008, período em que o esporte começou a se tornar mais elitizado com a entrada de bicicletas importadas no Brasil. Em 2009, fundou sua assessoria de corrida, atividade que mantém até hoje.
Durante o programa, Ademir demonstrou exercícios educativos utilizados em seus treinos, inspirados em suas viagens ao Quênia e à Etiópia. Essas atividades trabalham coordenação, aquecimento e aprimoramento do gesto esportivo da corrida, enfatizando a importância da técnica e do conhecimento para a prática segura e eficiente do esporte.
O Quenia Experience, projeto desenvolvido por Paulino, leva corredores brasileiros para conhecer a tribo dos Kalendins. Sua primeira viagem ao país africano aconteceu em 2017, quando passou três semanas com a tribo.
“O Quênia é formado por 43 tribos e a tribo dos Corredores, que está na cidade de Itém, que fica à beira do Vale do Rifte, uma área belíssima no noroeste da África”, descreve.
A cidade de Itém, com aproximadamente 25 mil habitantes, tem a corrida como principal atividade econômica. Ademir explica que a história dos corredores quenianos de elite começou no final da década de 1970, início dos anos 1980, quando um treinador inglês conhecido como Brother Colm iniciou um trabalho social na região e identificou o talento natural dos locais para a corrida.
O treinador ressalta que os melhores corredores do mundo vêm de uma das regiões mais pobres do planeta, onde uma família média vive com menos de 30 dólares por mês. Este fato demonstra que o esporte é acessível e não depende necessariamente de equipamentos sofisticados.
O Parque Ibirapuera, local onde Ademir começou a treinar, abriga atualmente cerca de 70 grupos oficiais de corrida às terças e quintas-feiras, evidenciando o crescimento do esporte no país. Apesar desse aumento, estima-se que apenas cerca de 10% dos participantes de grandes provas como a São Silvestre tenham acompanhamento profissional.
“Eu não consigo me ver sem o esporte. Sempre pratiquei a vida toda, então faz parte da minha vida”, afirma Ademir, que aos 48 anos permanece ativo e dedicado à corrida, compartilhando seu conhecimento com centenas de alunos no Brasil e levando sua experiência para o cenário internacional.
