O Carnaval de São Paulo mudou drasticamente nos últimos 15 anos, e se hoje a capital ostenta um dos maiores carnavais de rua do Brasil, muito se deve à resistência e à ousadia do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta.
Neste fim de semana, o programa “A Cidade é Sua”, da TMC, recebeu Alexandre Natacci, um dos fundadores do bloco, para um mergulho na trajetória do bloco que se tornou tradição do carnaval paulistano.
Do “Meio-fio” ao Milhão de Foliões
A história do Baixo Augusta é um retrato da própria ocupação do espaço público em São Paulo. O que começou em 2009 como uma vontade genuína de amigos de ocuparem as ruas onde já viviam e trabalhavam, rapidamente transbordou as calçadas.
Natacci relembrou com bom humor as dificuldades do início: no primeiro desfile, em 2010, a autorização permitia apenas que o bloco descesse pela calçada, mas o desejo do paulistano por Carnaval era maior que qualquer regulamentação.
“A invasão de pessoas já demonstrava que o Carnaval de São Paulo estava precisando dos blocos, vontade do paulistano também brincar aqui na sua própria cidade”, afirmou Natacci durante a entrevista.
O crescimento foi exponencial. Se em 2011 o bloco precisou de uma linha de 400 bombeiros para se separar dos carros que passavam ao lado do desfile na Consolação, hoje o Baixo Augusta atrai mais de um milhão de pessoas, consolidando-se como um mega bloco.
Identidade, Ativismo e Diversidade
O Baixo Augusta se consolidou como um símbolo de pertencimento e luta pelas causas do centro. Natacci destacou que o bloco nunca aceitou ser deslocado para vias expressas, como a 23 de Maio, justamente para manter sua identidade com a comunidade local.
Ao longo dos anos, o bloco abraçou causas como a criação do Parque Augusta e promoveu intervenções artísticas em empenas de prédios, homenageando figuras como Elza Soares.
Para o fundador, o segredo do sucesso está na mistura: “No nosso hino a gente fala que o baixo é a terra da mistura e lá realmente o nosso público é muito diverso. A gente abraça as causas lá do bairro”.
Essa diversidade é visível no perfil do público, que abrange desde famílias e crianças até uma forte presença da comunidade LGBTQIA+.
Impacto Econômico: A Engrenagem do Carnaval
A entrevista também desmistificou a ideia de que o Carnaval prejudica o comércio. Natacci trouxe dados relevantes sobre a economia da cultura: hoje, a ocupação hoteleira em São Paulo durante o período carnavalesco chega próxima a 100%, por exemplo, segundo o fundador do bloco.
Somente no desfile do Baixo Augusta, cerca de mil pessoas trabalham diretamente, entre técnicos, músicos, seguranças e médicos, fora o impacto positivo para os vendedores ambulantes e estabelecimentos do entorno.
Veja mais no YouTube da TMC
O programa completo do “A Cidade é Sua”, especial de Carnaval está disponível no YouTube da TMC.
