A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, respondeu às declarações da enfermeira e pré-candidata a deputada distrital Lídia Peres (PSD) sobre o processo judicial movido contra ela. A declaração foi feita durante o evento GDF na Sua Porta, em São Sebastião. Celina afirmou que a ação não foi motivada por críticas à saúde pública, mas por uma publicação que, segundo ela, atribuiu ao seu nome um caso de corrupção relacionado à Real Sociedade Espanhola de Beneficência.
“Eu não processei ela porque ela estava falando mal da saúde. Eu processei porque ela gravou um vídeo falando que essa corrupção era minha, quando a condenação era de uma entidade da época do Arruda.”
A governadora também criticou o que chamou de informações falsas divulgadas sobre o caso.
“As pessoas têm que parar de mentir. Mentiu uma vez no seu post e mentiu de novo depois para dar legitimidade à sua mentira. Eu não processo ninguém. Agora, fala a verdade.”
O episódio se deu depois que Lídia Peres publicou um vídeo nas redes sociais informando que havia sido processada pela governadora. Na gravação, a enfermeira afirmou que a ação judicial ocorreu após ela cobrar melhorias na saúde pública do Distrito Federal, depois da morte de um homem que aguardava atendimento em uma cadeira de rodas dentro de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Lídia afirmou que vai exercer seu direito de defesa e que continuará fazendo críticas à situação da saúde pública no Distrito Federal.
“Processo nenhum vai me intimidar, governadora. Continuarei denunciando o caos na saúde pública, defendendo os pacientes que sofrem nas filas dos hospitais e lutando pelos profissionais de saúde.”
Segundo Celina Leão, o motivo da ação judicial foi a associação feita por Lídia entre a governadora e o caso envolvendo a Real Sociedade Espanhola de Beneficência. A governadora afirmou que o episódio ocorreu durante o governo de José Roberto Arruda e que a publicação divulgou uma informação que, segundo ela, não corresponde aos fatos.
Leia mais:
https://tmc.com.br/politica/celina-leao-defende-michelle-bolsonaro-apos-video/
Entenda o caso
A Real Sociedade Espanhola de Beneficência administrou o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) por meio de um contrato firmado com o Governo do Distrito Federal em 2009. Após irregularidades e dificuldades financeiras identificadas durante a execução do contrato, o GDF assumiu novamente a gestão da unidade em novembro de 2010, e o hospital voltou oficialmente para a Secretaria de Saúde em abril de 2011.
Ao concluir a Tomada de Contas Especial, o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou que a entidade devolva R$ 17.596.024,93 aos cofres públicos, valor atualizado até outubro de 2025. Segundo o tribunal, foram identificadas falhas na prestação de contas e despesas sem comprovação adequada da aplicação dos recursos públicos.
A entidade tem 30 dias para comprovar o pagamento. Caso contrário, poderá ser alvo de medidas judiciais para a cobrança do débito. O TCDF também retirou dois ex-dirigentes da lista de responsáveis e manteve a responsabilização apenas da Real Sociedade Espanhola de Beneficência. Ainda cabe recurso da decisão.




