No Mercosul, Lula diz que mira reeleição para garantir democracia no Brasil

Lula lançou ainda a ideia de estabelecer um fundo regional voltado a catástrofes climáticas e geológicas na América do Sul diante dos terremotos na Venezuela

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Lula com o presidente do Paraguai na cúpula do Mercosul
(Foto: Cesar Olmedo/Reuters)

Lula falou sobre sua candidatura à reeleição durante a 68ª Cúpula do Mercosul, realizada nesta terça-feira (30/06) em Assunção, no Paraguai. O presidente afirmou que disputará um quarto mandato para garantir que o Brasil se mantenha como país democrático.

“Vou concorrer às eleições para garantir que o país se mantenha como um país democrático”, disse Lula aos demais líderes do bloco. O anúncio ocorreu em um fórum regional, fora do Brasil, o que deu visibilidade internacional à declaração.

Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é apontado como o principal adversário de Lula nas eleições deste ano. Ele é pré-candidato pelo Partido Liberal (PL).

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Mercosul acima das ideologias

Além do anúncio eleitoral, Lula defendeu que o bloco regional deve funcionar independentemente das posições políticas de cada governo. “O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição deste ou daquele presidente. Senão, a gente nunca vai ter um bloco forte funcionando. Nunca vai conseguir se transformar em um bloco econômico de muita vitalidade”, afirmou.

O presidente pediu um esforço de seis meses para consolidar as instituições de apoio do Mercosul. “Acreditem, independentemente de quem seja eleito no Brasil, o Mercosul continuará sendo prioridade”, declarou.

O presidente da Argentina, Javier Milei, não compareceu à reunião. Ele enviou o chanceler Pablo Quirino como representante, por compromissos locais no país vizinho. Na segunda-feira (29), Milei havia se encontrado com Flávio Bolsonaro.

Expansão econômica e novas parcerias

O presidente Lula trouxe números para ilustrar a evolução do bloco. O comércio intrabloco, que em 1991 — ano de fundação do Mercosul — registrava US$ 4,5 bilhões, alcançou US$ 50 bilhões em 2025.

Lula afirmou que “o Mercosul lançará nesta cúpula as negociações para uma parceria econômica com o Japão e que pretende buscar a mesma aproximação com a China em breve”.

O presidente defendeu também que a estrutura do PIX, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, seja adotada como modelo para criar uma plataforma regional de pagamentos compartilhada entre os membros do Mercosul — medida que, se aprovada, tornaria as transações financeiras entre os países do bloco mais ágeis.

Lula lançou ainda a ideia de estabelecer um fundo regional voltado a catástrofes climáticas e geológicas na América do Sul. A proposta ganhou urgência diante dos terremotos que devastaram a Venezuela na semana passada, cujo balanço oficial de mortes chegou a 1.719 nesta terça-feira, com tendência de alta. Em homenagem às vítimas, os líderes presentes observaram um minuto de silêncio.

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