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Ato da esquerda contra a anistia termina em confronto com bolsonaristas na USP

Manifestação em defesa da democracia é marcada por briga entre militantes de esquerda e parlamentares da direita no Largo São Francisco

Manifestantes se reuniram na tarde desta quinta-feira (8) no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, no centro de São Paulo, para protestar contra o PL da Dosimetria, vetado horas antes pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ato ocorreu no dia em que se completaram três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, e foi marcado por confrontos entre grupos de esquerda e parlamentares alinhados à direita.

O protesto havia sido convocado pelo PT de São Paulo, pelo Centro Acadêmico XI de Agosto e pelo grupo de advogados Prerrogativas. Cerca de 40 entidades participaram da mobilização, que reuniu centenas de pessoas e teve como eixo central a defesa da democracia e a rejeição a iniciativas que preveem anistia ou redução de penas para os condenados pelos atos golpistas. Durante o ato, os manifestantes repetiram palavras de ordem como “sem anistia”.

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Durante a manifestação, houve confusão quando o ex-deputado estadual Douglas Garcia (União Brasil), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, entrou no Salão Nobre e passou a gravar vídeos e provocar os participantes. Segundo relatos, militantes reagiram com gritos de “fascista”, rasgaram a camisa do ex-parlamentar e o expulsaram do local. Houve troca de socos.

No térreo do prédio, o confronto se intensificou com a presença do vereador Rubinho Nunes (União Brasil) e integrantes de sua equipe, resultando em agressões físicas diante de policiais, que não intervieram.

Rubinho Nunes negou ter agredido manifestantes e afirmou que tentou separar a briga. Segundo ele, acabou sendo atacado com socos, chutes e uma garrafada no olho. O vereador disse ainda que esteve no local para ouvir os motivos do protesto e divulgou vídeos nas redes sociais mostrando empurrões e provocações. Já o militante Luiz Nicoletti, de 21 anos, integrante do coletivo Graúna, afirmou ter sido agredido pelo vereador e criticou a atuação da polícia, que, segundo ele, apenas cercou a área sem intervir.

Apesar do tumulto, os organizadores seguiram com a programação e leram o Manifesto em Defesa da Democracia, da Justiça e da Soberania Nacional, elaborado pelo grupo Prerrogativas, pelo setorial jurídico do PT-SP e pelo Centro Acadêmico XI de Agosto. O texto afirma que o 8 de janeiro deve ser lembrado como uma data de vitória da democracia e de preservação da memória para evitar novas tentativas de ruptura institucional.

O manifesto ressalta que, pela primeira vez na história do país, todos os envolvidos em uma tentativa de golpe de Estado foram julgados e presos após decisão do Supremo Tribunal Federal. O documento também faz referências ao cenário internacional e alerta para ameaças externas à soberania nacional, citando ações recentes dos Estados Unidos contra a Venezuela.

Entre os mais de 200 signatários do manifesto estão o coordenador do Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) e o advogado Pierpaolo Bottini. O ator Paulo Betti atuou como mestre de cerimônias e afirmou que é necessário eleger parlamentares comprometidos com a democracia para impedir a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria.

Também participaram do ato o ex-presidente do PT José Genoíno, que discursou defendendo o enfrentamento ao que chamou de projeto autoritário, e o deputado federal Ricardo Galvão (Rede), ex-diretor do Inpe. Os manifestantes encerraram o evento reiterando a posição contrária à anistia aos envolvidos na trama golpista e reforçando a defesa do Estado democrático de Direito.

Leia mais: PL da Dosimetria: governistas celebram e oposição promete derrubar veto

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