Brasil convoca embaixador na Argentina para consultas após ataques de Milei a Lula e Moraes
Em convenção do PL, Javier Milei chamou presidente brasileiro de presidiário e ministro do STF de “lixo careca”
O Ministério das Relações Exteriores convocou, neste domingo (26), o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para consultas sobre a relação entre os dois países. A decisão foi tomada após as falas do presidente argentino, Javier Milei, durante a Convenção Nacional do PL, realizada neste sábado (25), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Ao discursar ao lado de Flávio Bolsonaro, Milei afirmou que o aliado era o único com chances de derrotar Lula nas eleições em outubro e chamou o presidente brasileiro de “presidiário”. O chefe do Poder Executivo argentino ainda atacou Alexandre de Moraes por não ter permitido uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro e chamou o ministro de “lixo careca”.
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Ao negar a visita de Milei a Bolsonaro, Moraes entendeu que o encontro não se enquadrava nas exceções definidas para visitas na prisão domiciliar do ex-presidente brasileiro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
A posição do Itamaraty de chamar o embaixador em missão no país vizinho emitia um sinal de grave insatisfação pelos ataques contra autoridades brasileiras. Diferentemente de emitir uma nota de repúdio ou fazer declarações à imprensa, a medida é uma sanção diplomática concreta, que exigiu a convocação de Bitelli para reavaliar a condução das relações entre Brasil e Argentina. Na diplomacia, chamar o embaixador do próprio país significa uma medida ainda mais dura que convocar o representante da outra nação para prestar esclarecimentos.
Nota do STF
Em nota, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, classificou as falas de Javier Milei contra o ministro Alexandre de Moraes como “desrespeitosas” e “incompatíveis” com a relação entre dois países. Veja a íntegra da nota:
“Tomei conhecimento da declaração do Presidente da Argentina sobre o Ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil. Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados.”
Luiz Edson Fachin
Presidente do Supremo Tribunal Federal




