Pela quarta vez desde maio, Brasil e Estados Unidos realizaram nesta quinta-feira (02/07) uma reunião de alto nível para tentar evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O encontro ocorreu por videoconferência entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.
Ao fim da reunião, os dois governos decidiram intensificar as negociações, com novos encontros técnicos já no início da próxima semana e uma nova reunião ministerial prevista antes de 15/07, data estabelecida pelo governo norte-americano para definir eventuais medidas comerciais.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o diálogo foi considerado construtivo, mas ainda será necessário aprofundar as discussões para reduzir as divergências entre os dois países.
Durante a reunião, o governo brasileiro apresentou um “mapa do caminho” para ampliar garantias de que políticas adotadas pelo Brasil não criam barreiras nem prejudicam o comércio com os Estados Unidos. A estratégia busca responder aos pontos levantados na investigação aberta por Washington com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
Os temas em discussão incluem comércio digital, tarifas preferenciais, acesso ao mercado de etanol, proteção à propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento ilegal.
O governo brasileiro mantém a posição de que o Pix não será alvo de mudanças, mas apresentou argumentos para contestar críticas dos Estados Unidos relacionadas ao sistema de pagamentos digitais e a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), sustentando que esses assuntos dizem respeito à política interna brasileira e não configuram questões comerciais.
Além disso, o Brasil voltou a defender a redução das tarifas de importação de cerca de 300 produtos, distribuídos entre os setores de maquinário agrícola, equipamentos hospitalares e tecnologia da informação. A proposta vale para todos os parceiros comerciais, mas, segundo o governo, os Estados Unidos seriam os principais beneficiados, por concentrarem boa parte das exportações desses itens.
Após a reunião, Márcio Elias Rosa afirmou que o governo continuará priorizando o diálogo, apesar de fatores externos que, segundo ele, têm dificultado o avanço das tratativas.
“Estamos tentando construir um consenso. O tempo corre contra. O prazo é 15 de julho”, afirmou o ministro.
Sem citar nomes, Rosa também criticou a politização das negociações comerciais e reiterou que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é manter o Brasil na mesa de negociação até o fim das conversas.
Na quarta-feira (01/07), o governo brasileiro já havia encaminhado uma manifestação formal aos Estados Unidos em resposta à investigação comercial. No documento, o Brasil sustenta que críticas ao Pix e a decisões do STF extrapolam o escopo da legislação comercial norte-americana e não justificam a adoção de sanções comerciais.
Leia mais: Lula acusa família Bolsonaro de estar por trás de tarifaço dos EUA




