A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS descobriu indícios de lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master. O presidente do colegiado, senador Carlos Viana, falou nesta quinta-feira (19/03) que as apurações revelam um esquema mais amplo do que o inicialmente investigado. As suspeitas incluem participação de agentes de diferentes esferas do poder público.
A comissão iniciou os trabalhos focada em irregularidades relacionadas a empréstimos consignados realizados por meio de associações. Durante as investigações, identificou que parte dos investigados teria utilizado o Banco Master para operações de lavagem de dinheiro.
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“Nós começamos com empréstimos consignados com associações e, de repente, descobrimos que parte dos investigados lavaram dinheiro usando o Banco Master, ou seja, o escândalo é muito maior do que a gente imaginava“, declarou Viana em entrevista coletiva.
A CPMI tem prazo de encerramento previsto para o final de março de 2026. Viana manifestou a intenção de prorrogar os trabalhos investigativos e aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o tema.
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Envolvimento de parlamentares e membros do Judiciário
Os investigados incluem pessoas envolvidas em esquemas de empréstimos consignados irregulares. Há suspeitas de envolvimento de parlamentares e pessoas ligadas ao Judiciário.
“Envolve parlamentares, sim, envolve pessoas ligadas ao Judiciário, sim, e isso tudo tem sido usado como pressão para tentar impedir que a CPMI avance”, disse o senador.
As vítimas do esquema são aposentados brasileiros lesados pelas irregularidades nos empréstimos. Viana mencionou que milhares de brasileiros apresentam reclamações relacionadas aos empréstimos consignados.
“São milhares de brasileiros que reclamam, que não autorizaram os empréstimos, que não têm onde reclamar”, afirmou.
A identidade específica dos parlamentares e pessoas ligadas ao Judiciário que estariam envolvidos não foi divulgada. Também não há informações precisas sobre os valores movimentados nas operações de lavagem de dinheiro por meio do Banco Master.
Prorrogação e objetivos da comissão
O presidente da CPMI afirmou ter confiança na prorrogação dos trabalhos. “Eu estou com muita confiança de que nós vamos conseguir prorrogar para o bem do Brasil, porque essa não é uma CPMI que veio para ser burocrática, palanque político ou para simplesmente fingir que houve uma investigação”, afirmou.
Segundo ele, “Nós temos as assinaturas necessárias e o Brasil quer a prorrogação, quer saber o que aconteceu”.
A comissão pretende propor mudanças na regulamentação dos empréstimos consignados e responsabilizar os envolvidos no esquema. “O nosso objetivo é criar regras que protejam o aposentado e que acabem com esse desequilíbrio nos empréstimos consignados no Brasil”, afirmou Viana.
Ele acrescentou que a intenção é “colocar na cadeia quem roubou os aposentados brasileiros”.
O senador criticou a forma como instituições financeiras operam no mercado de crédito consignado. “O dinheiro [é liberado] sem qualquer auditoria, sem qualquer regra. Os bancos […] emprestam a bel-prazer dos juros que entendem”, declarou.
Viana também comentou sobre a relação entre a CPMI e outros órgãos de investigação. “A Polícia Federal faz um grande trabalho, mas ela não é superior à CPMI em absolutamente nada. Pelo contrário, ela nos ajuda nas investigações como órgão colaborador”, disse.




