Ancine investiga irregularidades em longa sobre Jair Bolsonaro

Europa Filmes protocolou registro na Ancine, mas produção já está na mira do TSE e enfrenta recusa de distribuidoras nacionais

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Jim Cazaviel como Jair Bolsonaro
(Foto: Divulgação/Dark Horse)

A distribuidora Europa Filmes protocolou na Agência Nacional do Cinema (Ancine) o pedido de registro de Dark Horse, longa-metragem sobre a eleição de Jair Bolsonaro. O movimento acontece enquanto o filme acumula investigações de órgãos federais e ainda busca uma distribuidora disposta a colocá-lo nas telas.

O projeto tem roteiro assinado pelo deputado Mario Frias (PL-SP), com direção do americano Cyrus Nowrasteh e Jim Caviezel no elenco principal. Por trás da produção está a Go Up Entertainment, empresa brasileira com sede na Califórnia cuja fundadora é a jornalista Karina Ferreira da Gama. Registrada em 2025, a produtora ainda não tem obras lançadas em seu portfólio, seja no mercado brasileiro ou internacional.

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Dinheiro, banqueiro e bastidores do financiamento

A trajetória do filme até as telas enfrentou obstáculos. Em maio, o Intercept Brasil revelou mensagens nas quais Flávio Bolsonaro solicita recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para viabilizar a conclusão das filmagens. Segundo o Intercept Brasil, R$ 61 milhões já teriam sido aportados por Vorcaro, dentro de um montante total de R$ 134 milhões negociado para o financiamento da produção.

A Paris Filmes, entre as maiores distribuidoras do país, recusou formalmente a distribuição de Dark Horse. A tarefa ficou então a cargo da Europa Filmes, cadastrada na Ancine desde 2010, mas com um histórico problemático junto ao órgão: três anos atrás, a Ancine rejeitou as contas apresentadas pela empresa e determinou a restituição de verbas aplicadas na distribuição do filme Marcha da Vida.

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Ancine, TSE e STF na fila

A Ancine abriu investigação sobre irregularidades em Dark Horse, entre elas a ausência da notificação prévia que a legislação impõe a produções estrangeiras filmadas em território brasileiro. Embora o prazo habitual para análise de um pedido de registro seja de um mês, a Ancine informou que o processo referente a Dark Horse deve demandar um período mais extenso.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já havia colocado o filme na mira antes mesmo de ele conseguir uma distribuidora. O Grupo Prerrogativas e o deputado Rogério Correia (PT-MG) formalizaram pedido de investigação sobre o financiamento do projeto, alegando que o longa poderia ser uma “peça de comunicação política de enorme impacto” caso fosse lançado durante as eleições presidenciais.

O Supremo Tribunal Federal (STF) também tem investigação aberta relacionada ao entorno do filme: o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama, é investigado pelo tribunal por suposto repasse de R$ 2 milhões para produções de filmes por Mario Frias.

Corrida contra o calendário eleitoral

O longa foi inicialmente previsto para chegar às telas antes de 04/10, data das eleições presidenciais. Sem distribuidora confirmada até a semana passada e com o pedido de registro ainda em análise na Ancine, o prazo segue incerto.

O terreno para documentários sobre Bolsonaro não está vazio. Em maio, A Colisão dos Destinos, outro documentário sobre o ex-presidente, chegou a 17 estados pelo país.

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