O Datafolha divulgou pesquisa que compara a imagem do presidente Lula e do senador Flávio Bolsonaro (PL) em 15 quesitos diferentes. O levantamento ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais nos dias 12 e 13 de maio, com margem de erro de 2 pontos percentuais.
A pesquisa revela vantagens e desvantagens para cada pré-candidato ao Planalto. Enquanto Lula mantém ampla liderança em experiência e representatividade popular, Flávio é percebido como mais moderno e inovador pelo eleitorado.
O presidente Lula obteve 55% das respostas quando os eleitores foram questionados sobre qual candidato é mais experiente, contra apenas 18% de Flávio. A vantagem de 37 pontos percentuais é a maior registrada entre todos os quesitos avaliados.
Em defesa das mulheres, Lula também se destaca com 52% das menções, enquanto o senador do PL ficou com 8%. Na capacidade de representar o rosto da população brasileira, o petista alcançou 53%, contra 18% do adversário.
O presidente ainda é visto como mais apto a defender os pobres (40% contra 26%) e a combater a corrupção (33% contra 27%).
Em dois quesitos relacionados à renovação política o senador Flávio Bolsonaro superou Lula em dois quesitos relacionados à renovação política. Quando perguntados sobre qual candidato é mais moderno, 31% dos eleitores apontaram Flávio, contra 26% que escolheram o presidente.
Em inovação, a vantagem do senador foi ainda maior: 22% contra 11% de Lula. Na prática, isso significa que parte do eleitorado enxerga o filho do ex-presidente como uma opção de mudança em relação ao atual governo.
Flávio também é percebido como mais apto a defender os ricos, com 38% das respostas, contra 35% do adversário — uma diferença de apenas 3 pontos percentuais.
Percepção dos eleitores nos quesitos mais sensíveis
Um dos dados mais sensíveis da pesquisa mostra que 46% dos eleitores consideram Lula mais corrupto, enquanto 30% atribuem essa característica a Flávio Bolsonaro. A diferença de 16 pontos representa uma desvantagem significativa para o presidente.
Segundo o Datafolha, a maioria das entrevistas foi realizada antes da divulgação de áudios envolvendo Flávio e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Nas gravações divulgadas pelo Intercept Brasil, o senador pede dinheiro para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro que estreia em setembro.
Quando questionados sobre qual candidato é mais autoritário, 32% dos eleitores apontaram Flávio, contra 29% que escolheram Lula — uma diferença de apenas 3 pontos percentuais.
Em honestidade, o presidente obteve 33% das respostas, contra 29% do senador. Já em religiosidade, Flávio ficou à frente com 38%, enquanto Lula teve 19% — uma vantagem de 19 pontos para o candidato do PL.
A pesquisa também avaliou outros pré-candidatos ao Planalto, como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Samara Martins (UP), Cabo Daciolo (Mobiliza) e Romeu Zema (Novo), mas os percentuais ficaram abaixo de 9% em todos os quesitos.
Contexto político
A divulgação da pesquisa ocorre em momento de intensificação do debate sobre as eleições presidenciais. No mesmo período, Lula lançou o Programa Brasil Contra o Crime Organizado, com investimento previsto de R$ 11 bilhões.
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) também tem acompanhado os desdobramentos dos áudios envolvendo Flávio, que podem impactar a imagem do senador nos próximos levantamentos.
Por que isso importa: A pesquisa revela que nenhum dos dois pré-candidatos tem imagem consolidada em todos os aspectos. Enquanto Lula mantém força em experiência e defesa de grupos vulneráveis, Flávio conquista eleitores que buscam renovação e modernidade na política.




