Michelle Bolsonaro parabenizou a comunidade surda pelo lançamento de uma política do governo Lula, gesto que chamou atenção por ocorrer logo após um desentendimento público com Flávio Bolsonaro, seu enteado e pré-candidato à Presidência pelo Partido Liberal (PL).
O Ministério da Educação (MEC) anunciou, nesta sexta-feira (03/07), a criação de uma nova modalidade educacional voltada a estudantes surdos: a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos. Com a medida, a educação bilíngue deixa de integrar a Educação Especial e passa a ter um campo próprio.
Em postagem nas redes sociais, Michelle afirmou: “A educação bilingue se tornou uma modalidade separada da Educação Especial, trazendo mais autonomia e protagonismo para a comunidade surda […] É um sonho realizado! Seguimos trabalhando por um Brasil mais acessível e com oportunidades para todos”.
Déficit estrutural nas escolas
O próprio MEC reconhece um quadro deficitário que antecede o lançamento da política. No que diz respeito a recursos didáticos em Libras (Língua Brasileira de Sinais), somente 12% das redes de ensino contam com materiais pedagógicos adequados. Já as avaliações no formato VideoLibras, adaptadas à língua de sinais, alcançam apenas 1,31% dos estudantes.
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51% das escolas brasileiras possuem Salas de Recursos Multifuncionais, estruturas destinadas ao apoio pedagógico especializado. No entanto, o contingente de docentes que concluiu capacitação voltada ao ensino bilíngue para surdos não passa de 2.501 em todo o território nacional. O MEC admite ainda que os cursos de pedagogia bilíngue permanecem escassos no país.
Na prática, isso significa que a maioria dos estudantes surdos ainda não tem acesso a materiais, avaliações ou professores preparados para o ensino em Libras, lacuna que a nova política busca enfrentar ao ampliar o acesso, a permanência e a aprendizagem desse grupo.




