Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, apresentou desculpas públicas a Ronaldo Caiado, pré-candidato à Presidência pelo PSD. O pedido ocorreu durante encontro entre os dois políticos. Leite reconheceu a falta de cortesia ao não cumprimentar Caiado após a indicação do partido, mas manteve críticas à escolha do PSD.
Durante o encontro, o governador gaúcho se desculpou pela “indelicadeza não intencional de não tê-lo parabenizado pela indicação” para concorrer à Presidência. Leite entregou a Caiado uma carta com temas que considera importantes para debate durante a campanha eleitoral.
O governador reafirmou sua discordância quanto à análise de cenário político feita pelo PSD. Ressaltou que sua divergência não diminui o nome ou a trajetória de Caiado.
Leite manifestou disposição para colaborar com a campanha presidencial. “E estou pronto para ajudá-lo no que estiver ao meu alcance para que possamos oferecer uma alternativa viável e real contra a polarização”, declarou.
Posição contrária à anistia
O governador se posicionou contra a promessa de Caiado de anistiar envolvidos nos ataques de 8 de Janeiro. Leite avalia que a pacificação nacional não será alcançada por essa medida.
Segundo o governador, uma ação dessa natureza tende a interromper o diálogo com parcela significativa da população. Leite defende que existem “caminhos institucionais” mais adequados para tratar da questão. O aperfeiçoamento da dosimetria das penas seria uma alternativa.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), agendou para 30 de abril a sessão que analisará o veto do PL da Dosimetria. O projeto reduziria a pena dos condenados pelos ataques do 8 de Janeiro. O ex-presidente Jair Bolsonaro está entre os condenados.
Após ter sido preterido pelo PSD, Leite havia feito declarações críticas sobre a escolha de Caiado. No fim de março, o governador gaúcho afirmou que a decisão do partido “desencanta” a ele.
Na ocasião, Leite declarou que Caiado “tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o nosso país”.
A indicação de Caiado como candidato do PSD à Presidência aconteceu após o governador do Paraná, Ratinho Jr., desistir de disputar o cargo. Ratinho Jr. era a opção preferida do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, para a corrida presidencial.
A desistência de Ratinho Jr. ocorreu por diversos motivos. Pressão familiar e a necessidade de fazer um sucessor no estado do Paraná foram fatores determinantes.
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