A tentativa de criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o escândalo envolvendo o Banco Master avançou no Senado, mas ainda depende de etapas formais para sair do papel. Embora o requerimento já tenha alcançado o número mínimo de assinaturas, a instalação da comissão ainda não é automática e depende de decisões internas da Casa.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou na segunda-feira (09/03) um requerimento para abrir uma CPI destinada a investigar possíveis relações entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e personagens ligados ao caso Banco Master.
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O documento reuniu 35 assinaturas de senadores, número superior ao mínimo exigido pelo regimento do Senado, que é de 27 apoios (um terço da Casa). Entre os signatários estão parlamentares de diferentes partidos, com predominância de integrantes da oposição. Nenhum senador do PT assinou o pedido, e apenas um parlamentar da base governista aparece entre os apoiadores.
Segundo Vieira, a investigação pretende esclarecer possíveis irregularidades relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master, e eventuais vínculos com integrantes do Judiciário.
O que ainda falta para a CPI ser criada
Mesmo com as assinaturas necessárias, a CPI ainda não foi oficialmente instalada. Para que isso ocorra, alguns passos regimentais precisam ser cumpridos:
1. Leitura do requerimento em plenário
O primeiro passo é a leitura do pedido pelo presidente do Senado, atualmente Davi Alcolumbre (União-AP). Somente após essa etapa o processo segue formalmente.
2. Prazo para confirmar ou retirar assinaturas
Depois da leitura, os senadores têm um curto período para retirar ou adicionar apoios ao requerimento. Se o número mínimo continuar válido, a proposta avança.
3. Publicação oficial do pedido
Mantidas as assinaturas necessárias, o requerimento é publicado oficialmente, confirmando a criação da CPI.
4. Indicação dos integrantes da comissão
Em seguida, o presidente do Senado solicita aos líderes partidários que indiquem os membros da CPI, respeitando a proporcionalidade das bancadas.
5. Eleição da direção e início dos trabalhos
Os parlamentares indicados elegem presidente e vice-presidente da comissão, e o presidente define o relator, responsável por conduzir a investigação.
Resistência política pode atrasar instalação
Apesar do avanço na coleta de assinaturas, a criação efetiva da CPI depende da condução do processo pela presidência do Senado. Nos bastidores, há resistência à instalação de uma comissão sobre o tema.
Paralelamente, também circula no Congresso a proposta de uma CPMI (comissão mista) para investigar o mesmo caso, envolvendo deputados e senadores. Essa alternativa também reuniu apoios, mas ainda não tem previsão de instalação.
O que uma CPI pode fazer
Se for instalada, a comissão terá poderes de investigação semelhantes aos de autoridades judiciais, podendo:
- Convocar autoridades e testemunhas para depor
- Quebrar sigilos bancário, fiscal e de dados
- Solicitar documentos e informações a órgãos públicos
No entanto, uma CPI não pode condenar nem prender investigados, exceto em caso de flagrante. Ao final dos trabalhos, o relatório aprovado é enviado ao Ministério Público, que decide se abre processos civis ou criminais.
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