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Erika Hilton pede que rede que atribuiu falsamente transfobia a Lula seja investigada

Perícia identificou manipulação da fala do presidente; mensagem falsa atingiu mais de 9 milhões de visualizações em 24 horas

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou na Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia um pedido formal para investigação de rede coordenada que disseminou conteúdo falso atribuindo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a prática de transfobia. O documento foi entregue no domingo (19) e baseia-se em levantamento técnico elaborado pela equipe da parlamentar.

O material analisado pela equipe de Hilton mostra que foram manipulados trechos de um discurso presidencial realizado em 16 de janeiro, durante cerimônia na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro, que celebrava os 90 anos do salário mínimo. Os cortes editados sugeriam incorretamente que o presidente teria se referido à deputada usando pronome masculino.

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A representação demonstra que a acusação não tem fundamento factual, pois a deputada não participou do evento em questão, fato comprovável por registros oficiais, imagens da cerimônia e pela agenda pública da própria parlamentar. Mesmo assim, a narrativa falsa circulou rapidamente nas redes sociais.

A distorção concentrou-se em um trecho específico onde Lula menciona uma pessoa chamada “Érica” presente na plateia. Esta referência foi posteriormente manipulada para insinuar que se tratava da deputada federal, omitindo deliberadamente partes anteriores da fala presidencial que mostravam interação com pessoas presentes no local.

O conteúdo falso propagou-se em diversas plataformas digitais como Instagram, YouTube, TikTok, X e Facebook. O levantamento técnico anexado ao pedido identificou uma amostra de publicações que atingiu 9.417.345 visualizações em menos de 24 horas.

Várias postagens individuais registraram milhões de visualizações e alto volume de compartilhamentos em curto espaço de tempo, padrão que indica possível ação coordenada. O documento aponta a participação de parlamentares e perfis de oposição ao governo federal na disseminação do conteúdo, embora nem todos os responsáveis pela criação e distribuição inicial tenham sido identificados.

A partir do pedido protocolado, a AGU analisará a solicitação e decidirá sobre a abertura de investigação formal. Caso proceda, poderá adotar medidas administrativas e judiciais contra os responsáveis, além de solicitar a remoção dos conteúdos falsos das plataformas.

O documento também pede que a Secretaria de Comunicação Social da Presidência seja oficialmente notificada sobre a existência da campanha coordenada.

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Na representação, Hilton argumenta que a disseminação das informações falsas ultrapassa um simples ataque pessoal ou político. Segundo a deputada, a ofensiva afeta diretamente a honra do presidente ao imputar-lhe falsamente a prática de crime de ódio, além de alimentar discursos contra pessoas trans.

Entre as medidas requeridas pela parlamentar estão a investigação completa da rede de desinformação, a responsabilização dos envolvidos, a remoção imediata dos conteúdos falsos e a exigência de retratação pública dos responsáveis pela disseminação.

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