Para além da vitória nas eleições presidenciais deste ano, o clã Bolsonaro possui outros dois objetivos centrais – e, talvez, até prioritários. São eles: a manutenção de um “Bolsonaro” na disputa e em evidência política e eleitoral, além da formação de bancadas, ou seja, mais parlamentares eleitos e, consequentemente, mais recursos financeiros através do fundo eleitoral. Essa é – e sempre foi – a estratégia do clã visando sua sobrevivência politica-eleitoral mesmo diante da prisão de seu maior líder, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
E essa sobrevivência diz respeito a ter um “dos seus” (e isso não inclui sua esposa, Michelle) na disputa, mesmo que seja pra perder. Afinal, em caso de vitória, garantia de fidelidade e um trabalho pelo perdão judicial. Em caso de derrota, a manutenção do protagonismo de Jair, apenas temporariamente representado por seu “abençoado”, pra que o bolsonarismo possa voltar com o mesmo protagonismo na próxima disputa presidencial.
Nunca fez – e nem fará – sentido simplesmente transferir o maior ativo que possuem (os votos) para alguém de fora do clã “simplesmente” para derrotar o presidente Lula nas urnas.
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A carta apenas reforça essa tese e (re) empodera o filho Zero Um na disputa, apesar dos recentes desentendimentos com a ex-primeira dama.
O lançamento do movimento Imparáveis por Michelle Bolsonaro nós ultimos dias reforça a avaliação de que a ex-primeira-dama trabalha para consolidar uma estrutura política própria, que dialoga com o PL, mas não depende exclusivamente do partido (e nem do clã). Enquanto isso, Flávio Bolsonaro mantém a estratégia de restringir sua participação nas decisões centrais da pré-campanha.
O cenário permanece de disputa por influência, sem sinais de acomodação no curto prazo. Valdemar Costa Neto, presidente do PL, sabe que Michelle tem afinidade com lideranças de outros partidos e, portanto, não quer deixar seu movimento sair do guarda-chuva do PL.