A TMC apurou que o banqueiro Daniel Vorcaro, de 42 anos, recuou e decidiu não avançar, neste momento, com um acordo de delação premiada.
A mudança de rota acontece em meio a movimentos discretos nos bastidores. O criminalista Roberto Podval, que chegou a ser cotado para deixar o caso, será mantido na defesa — um gesto que, para interlocutores, indica uma virada de estratégia.
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Advogados que acompanharam as negociações afirmam que houve uma reorganização da equipe jurídica. O criminalista Pierpaolo Bottini deixou o caso, enquanto o advogado José Luis de Oliveira Lima, que havia sido acionado para conduzir a negociação de delação, passa a um papel secundário — o “banco de reservas”, na definição de interlocutores.
A aposta agora seria outra: ganhar tempo. A defesa trabalha com a expectativa de um relaxamento da prisão, nos próximos dias. O cálculo da equipe de Vorcaro é simples: buscar um empate na próxima votação da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal — e, nesse caso, o empate favorece o banqueiro.
Em Brasília, o caso passou a ser tratado em um nível mais amplo. Há algum tempo, deixou de ficar restrito ao processo e passou a ser discutido também fora do ambiente jurídico. Nos bastidores, a avaliação é de que há um movimento para reduzir a tensão — movimento esse conduzido com discrição.
Em paralelo, interlocutores apontam que decisões do ministro Alexandre de Moraes poderiam abrir espaço para a concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro — e, nesse cenário, o jogo pode virar também para Daniel Vorcaro.
Entenda
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso em novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero, mas acabou solto dias depois.
Na ocasião, ele foi detido um dia antes da liquidação do banco, ao tentar embarcar em um voo para Dubai. A suspeita principal era de tentativa de fuga.
Vorcaro foi preso novamente em 4 de março, por decisão do ministro André Mendonça, após investigações da Polícia Federal indicarem que ele teria mantido uma espécie de milícia privada para ameaçar adversários e cooptado dois servidores da alta hierarquia do Banco Central do Brasil.
O banco foi liquidado pelo Banco Central em novembro e é investigado por suspeitas de fraudes bilionárias.
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