A defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli entrou com recurso na Itália para tentar reverter autorização para sua extradição ao Brasil, nesta sexta-feira (10/04). A decisão havia sido tomada pela Corte de Apelações italiana, no fim de março.
Ela está presa em um presídio nos arredores de Roma desde 29 de julho de 2025.
O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Zambelli a 10 anos de prisão por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A ex-deputada deixou o Brasil em maio de 2025, pela fronteira com a Argentina, após receber a condenação.
Zambelli passou pelos Estados Unidos antes de chegar à Itália. Ela possui cidadania italiana. As autoridades italianas mantêm a ex-deputada detida porque avaliam que há risco de fuga.
O STF formalizou o pedido de extradição assinado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. A Corte brasileira considera Zambelli foragida da Justiça.
Em dezembro, o STF ordenou a cassação do mandato de Zambelli. A decisão revogou posicionamento contrário da Câmara dos Deputados. Três dias depois da determinação do Supremo, ela entregou carta de renúncia à Casa.
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Tratado bilateral
Brasil e Itália mantêm tratado recíproco de extradição em vigor desde 1993. O acordo foi acionado dezenas de vezes desde sua implementação.
O primeiro artigo do tratado determina que os dois países ficam obrigados a entregar pessoas procuradas pela Justiça do outro país. A entrega pode ocorrer para julgamento ou para cumprimento de pena restritiva de liberdade.
Zambelli está presa em presídio que abriga mulheres em regimes de segurança média e alta. A unidade é dividida em oito seções.
O recurso apresentado pela defesa será analisado pela Justiça italiana. Após essa análise, o caso será encaminhado para decisão final do governo italiano sobre a extradição.




