A convenção nacional do Partido Liberal (PL), que começou por volta das 11h deste sábado (25/07) em São Paulo, torna oficial a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O evento, com capacidade para 150 pessoas, exibiu um vídeo gravado por Michelle Bolsonaro e prevê discurso do presidente argentino Javier Milei. O senador ainda não divulgou o nome de seu vice.
A chegada de Flávio causou tumulto na entrada da Arena Pacaembu. Uma multidão de apoiadores se concentrou no local, mas a equipe de segurança precisou intervir, informando que o espaço já havia atingido a lotação máxima.
Presença de aliados
A convenção reúne outras figuras importantes como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB). Os primeiros chamados ao palco foram Rogéria Nantes Bolsonaro, mãe de Flávio, e Valdemar Costa Neto, presidente do PL. O encerramento do bloco de discursos ficou com o senador Rogério Marinho (PL-RN), que usou referências religiosas ao homenagear Jair Bolsonaro.
Por vídeo, Eduardo Bolsonaro destacou a gestão de Milei e previu uma “onda azul” no continente. Flávio Bolsonaro se emocionou durante o vídeo do irmão, Carlos Bolsonaro. Ele desejou sorte e comentou sobre a união dos irmãos em torno de sua candidatura. Ele foi consolado pela esposa e pelo senador Magno Malta (PL-ES).
Paz com Michelle
Homenageada com um totem no espaço do PL Mulher, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro gravou uma mensagem em vídeo para ser exibida no telão da convenção partidária. O gesto sinaliza uma trégua após um período conturbado. Há cerca de um mês, Michelle havia rompido publicamente com o senador Flávio Bolsonaro e deixado o comando do núcleo feminino da legenda. O cenário mudou na quinta-feira (23), quando o senador divulgou um vídeo pedindo desculpas e convidando a cunhada para a campanha. Em resposta, a ex-primeira-dama aceitou o convite, ponderando apenas que os dois ainda precisam se encontrar para “ajustar os detalhes”.
Turbulências na pré-campanha
Aos 45 anos, o empresário, advogado e senador Flávio Bolsonaro foi indicado por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em dezembro para disputar as eleições como herdeiro político da família. Na ocasião, a pesquisa Quaest já o apontava em segundo lugar (21% a 27%), principal oponente de Lula. Em maio, Flávio atingiu seu ápice nas intenções de voto, chegando a 33% contra 39% do rival.
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A queda nas pesquisas coincidiu com a revelação do caso Dark Horse. Segundo apuração, Flávio recebeu dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e destinou parte dos recursos à produção de um filme sobre o pai. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou, na última quinta-feira (23), a Polícia Federal (PF) a investigar os repasses. Já o ministro Flávio Dino autorizou apuração sobre irregularidades no uso de emendas parlamentares beneficiando a produtora responsável pelo filme.
Não é a primeira vez que o senador enfrenta investigações. Em 2020, o Ministério Público o denunciou por um esquema conhecido como rachadinhas, prática em que assessores devolvem parte do salário ao parlamentar. As provas foram anuladas porque tribunais superiores decidiram que Flávio tinha direito a foro privilegiado. Durante aquela investigação, ele comprou uma mansão em Brasília por R$ 6 milhões, financiada em parte pelo Banco de Brasília (BRB). Documentos do banco de 2024 apontaram que o empréstimo foi quitado 27 anos antes do prazo previsto.
O ministro Alexandre de Moraes vedou o contato de Flávio com o pai por um período de 90 dias, após concluir que Jair Bolsonaro descumpriu as condições da prisão domiciliar. Flávio afirma que a medida radicalizou seu discurso, sobretudo nas críticas ao STF. Em encontro com diplomatas realizado em Brasília na semana passada, ele voltou a difundir informações falsas sobre as urnas eletrônicas, afirmações desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O episódio evoca o ocorrido em 2022, quando Jair Bolsonaro convocou embaixadores para disseminar alegações sem fundamento contra o sistema eleitoral, conduta que resultou em condenação por abuso de poder e na sua inelegibilidade.
Herança do pai
A candidatura de Flávio foi anunciada em dezembro, quando ele divulgou uma carta na qual o ex-presidente indicava o filho como representante da família. Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por envolvimento em tentativa de golpe de Estado. Em diversas ocasiões, Flávio declara ter o desejo de receber a faixa presidencial das mãos do pai e afirma que, se eleito, trabalhará pela anistia de Jair.
Ao tornar pública sua candidatura, Flávio procurou se posicionar como uma versão mais comedida de seu pai. “Sempre pediram um Bolsonaro mais moderado. Eu sempre fui assim, eu sou esse Bolsonaro mais moderado, equilibrado, centrado”, declarou.
Propostas e definição do vice
Entre as propostas apresentadas, Flávio lançou o plano Brasil sem Medo, voltado à segurança pública, com medidas como redução da maioridade penal, classificação de facções criminosas como organizações terroristas e castração química para condenados por estupro. Para o público feminino, apresentou o programa Brasil por Elas ao lado de Daniella Marques, economista e ex-presidente da Caixa no governo Bolsonaro, responsável hoje pela área econômica da pré-campanha. O programa prevê ampliação do acesso à internet para mulheres e uma linha de microcrédito destinada ao empreendedorismo feminino.
Flávio afirma preferir uma mulher na chapa, mas a definição do vice depende das negociações de alianças. Um acordo com o Republicanos poderia levar Daniella Marques à vaga, segundo indicação implícita das tratativas. No PP, o nome cotado é o da deputada federal Simone Marquetto, liderança católica de São Paulo. A senadora Tereza Cristina descartou formar chapa com Flávio. Republicanos, PP e União Brasil vêm indicando preferência por se manter neutros.
O PL é o partido com mais deputados federais e senadores. Se não fechar coligações, pode anunciar uma chapa puro-sangue. O prazo para definir alianças termina em 15/08.
A convenção de Flávio abre uma sequência de eventos: Ronaldo Caiado (PSD), que tem Gilberto Kassab como vice, realiza a sua nesse domingo (26/07), em São Paulo. Romeu Zema (Novo), que ainda não definiu vice, faz a convenção nessa segunda-feira (27/07), em Brasília. Lula (PT), com Geraldo Alckmin na chapa, realiza a sua em 02/08, também em São Paulo.




