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Lula defende soberania da Venezuela e diz que conversa com Trump será “olho no olho”

Em viagem ao Panamá, presidente do Brasil comentou crise venezuelana, agenda internacional e relações bilaterais com os EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (27/01), ao chegar ao Panamá, que os Estados Unidos devem permitir que a Venezuela conduza de forma autônoma as decisões relacionadas à sua soberania. A declaração foi feita após questionamentos sobre a atuação norte-americana no Caribe e os desdobramentos recentes da crise venezuelana.

Em entrevista à imprensa, Lula relatou ter conversado nos últimos dias com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de outros líderes internacionais, como o presidente da França, Emmanuel Macron, e o ex-presidente do Chile, Gabriel Boric. Segundo ele, o diálogo tem como foco o fortalecimento do multilateralismo e da democracia em um cenário internacional marcado por instabilidade. O presidente brasileiro confirmou ainda a intenção de realizar uma visita oficial a Washington no início de março.

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De acordo com Lula, o encontro presencial com Trump é importante para a manutenção do diálogo direto entre Brasil e Estados Unidos, países que ele classificou como duas das principais democracias do Ocidente. Segundo o Palácio do Planalto, os dois presidentes conversaram por telefone na segunda-feira (26/01) por cerca de 50 minutos, no primeiro contato desde os acontecimentos recentes na Venezuela.

“Eu conversei com o Trump ontem, eu conversei com o Macron hoje, eu conversei com o Boric hoje e depois vou conversar com mais gente porque eu estou discutindo a questão do multilateralismo, a questão da democracia no mundo inteiro. E eu espero marcar com o presidente Trump no começo de março. Eu vou fazer uma viagem a Washington porque os Estados Unidos e o Brasil são as duas principais democracias do Ocidente, e eu acho que dois chefes de Estado precisam conversar um olhando no olho do outro, sabe, para que a gente possa discutir as boas relações entre Brasil e Estados Unidos”, disse o petista.

Durante a conversa na segunda-feira (26/01), foram tratados temas como a situação política venezuelana, economia, cooperação bilateral e iniciativas internacionais. Lula reiterou a posição de que a solução para a crise na Venezuela deve partir dos próprios venezuelanos. Ele afirmou esperar que a presidente interina do país, Delcy Rodríguez, consiga conduzir o processo político e destacou que o momento exige cautela e acompanhamento dos desdobramentos.

Ainda segundo o governo brasileiro, Lula e Trump discutiram a criação do Conselho da Paz, iniciativa proposta pelos Estados Unidos. O presidente brasileiro não confirmou se o Brasil integrará o órgão e afirmou que, caso avance, a iniciativa deveria ter caráter humanitário, com atenção especial à situação na Faixa de Gaza e à participação da Palestina nos debates. A diplomacia brasileira avalia com cautela estruturas internacionais com condução unilateral.

Na área econômica, os dois presidentes trocaram avaliações sobre o cenário dos dois países e apontaram perspectivas positivas. Trump afirmou que o crescimento das economias brasileira e norte-americana é benéfico para toda a região. O petista, por sua vez, manifestou interesse em ampliar a cooperação bilateral no combate à lavagem de dinheiro, ao tráfico de armas e no intercâmbio de dados financeiros, além do congelamento de ativos de organizações criminosas.

Antes da possível visita aos Estados Unidos, Lula tem viagens previstas para a Índia e a Coreia do Sul, em fevereiro. O governo brasileiro também pretende aproveitar o contexto internacional para reforçar a defesa da reforma do Conselho de Segurança da ONU, com ampliação do número de membros permanentes, pauta recorrente da política externa brasileira.

No Panamá, onde permanece por cerca de 24 horas, Lula participa do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, conhecido como “Davos Latino-Americano”, como convidado de honra. Ele fará um discurso de aproximadamente 15 minutos e terá reuniões para tratar de acordos bilaterais voltados à facilitação de investimentos.

Leia mais: Lula se reúne com presidente chileno durante visita oficial ao Panamá

A agenda inclui ainda encontros com líderes regionais, entre eles o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, além de reuniões bilaterais previstas para quarta-feira (28/01) com os presidentes do Panamá, José Mulino, e da Bolívia, Rodrigo Paz.

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