O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu neste sábado (25/07) à tentativa de dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos de entrar no Brasil para questionar a integridade do sistema eleitoral. Durante discurso na convenção que oficializou a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao Governo de São Paulo, em Campinas, Lula afirmou que nenhum país deve interferir nas eleições brasileiras.
“E que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições. […] Quem quiser de fora se meter nas eleições brasileiras vai apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores”, declarou o presidente.
Lula também reforçou a defesa da soberania nacional e disse que o Brasil manterá relações diplomáticas com todos os países, sem abrir mão de sua autonomia.
“O aviso está dado, o Brasil é soberano, o Brasil quer manter relações com todos os países do mundo. O Brasil não quer guerra, o Brasil quer paz. O Brasil não quer ódio, o Brasil quer amor. O Brasil não quer fazer futrica, o Brasil quer trabalhar”, afirmou.
As declarações ocorreram durante a convenção realizada em Campinas, que marcou o lançamento oficial da candidatura de Haddad ao Palácio dos Bandeirantes. O evento reuniu ainda o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ex-governador Márcio França, candidato a vice-governador, além das ministras Marina Silva e Simone Tebet, candidatas ao Senado por São Paulo.
Itamaraty negou entrada de diplomatas dos EUA
A manifestação de Lula ocorre um dia após o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) negar visto a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que pretendiam viajar ao Brasil para discutir a integridade do sistema eleitoral brasileiro.
A recusa foi registrada na sexta-feira (24/07). O jornal The Washington Post revelou o episódio. Segundo a publicação, os diplomatas impedidos de entrar no país são Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente.
A missão foi considerada inusitada pelas autoridades brasileiras, que foram alertadas sobre a natureza da visita. A viagem estava prevista para ocorrer poucas semanas antes das eleições presidenciais, marcadas para 4 de outubro.
Nos bastidores, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) classificaram a iniciativa como “escandalosa” e “inusitada”, entendendo que a tentativa representava uma interferência indevida em um processo eleitoral conduzido pelas instituições brasileiras.
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