Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu ter chegado à Casa Branca com um temor específico: ser publicamente constrangido por Donald Trump, como aconteceu com os presidentes da África do Sul e da Ucrânia em visitas anteriores. A revelação foi feita pelo presidente brasileiro nesta sexta-feira (22/05).
“Quando eu encontrei com o Trump na Malásia ele chamou a imprensa toda, coisa que eu não quero. Só pode ter imprensa depois que a gente conversar. Por que a imprensa? Eu ficava preocupado de ele querer fazer o mesmo que ele fez com o presidente Ramaphosa da África do Sul ou com o da Ucrânia”, disse Lula em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil.
“Agora, lá, também ele queria chamar a imprensa no Salão Oval antes de a gente conversar. Eu falei ‘não, para que? Primeiro vamos conversar. Eu tenho assuntos de interesse do Estado brasileiro para conversar com você, que tem assuntos do interesse do Estado americano. Vamos tirar nossas diferenças e depois a gente dá entrevista’. Aí uma coisa que era para ter 1h15 ficou em 3h e depois ele falou ‘não vamos dar entrevista não’“, disse Lula.
Em maio de 2025, Trump recebeu Cyril Ramaphosa, presidente sul-africano, no Salão Oval e tentou encurralá-lo com acusações de genocídio contra brancos na África do Sul. Chegou a pedir que as luzes fossem apagadas para projetar imagens de violência diante do presidente sul-africano.
Meses antes, em fevereiro de 2025, Trump e Zelenski protagonizaram um confronto aberto no mesmo salão, diante das câmeras. O presidente ucraniano deixou a Casa Branca sem a entrevista coletiva que estava prevista.
Tarifas e negociações comerciais
O tema central da reunião foram as tarifas. No ano anterior, os Estados Unidos haviam imposto taxas extras sobre produtos brasileiros. Segundo autoridades brasileiras, o Brasil conseguiu reverter os principais pontos dessas cobranças e saiu do encontro com um prazo de 30 dias para continuar as discussões sobre o restante.
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Na prática, isso significa que o Brasil ganhou tempo para negociar antes de qualquer nova medida americana entrar em vigor — o que afeta diretamente exportadores brasileiros e pode influenciar preços de produtos no mercado interno.
Autoridades brasileiras também tentam adiar negociações sobre etanol e aço, dois setores sensíveis. A proposta do lado brasileiro é concentrar as conversas em equipamentos de saúde americanos para uso no Sistema Único de Saúde (SUS).
Há ainda uma investigação em andamento conduzida por autoridades de comércio dos Estados Unidos sobre o Pix — sistema de pagamentos instantâneos — e sobre o comércio praticado na rua 25 de Março, em São Paulo. Segundo autoridades brasileiras, o resultado dessa apuração pode ser usado como instrumento de pressão para extrair concessões do Brasil nas negociações.




