Marina Silva avalia queda de Flávio no Datafolha e diz que sociedade cobra o custo por “dinheiro espúrio”

Levantamento aponta ampliação da vantagem do presidente sobre o senador, que lida com alta rejeição e contradições sobre financiamento de filme com ex-banqueiro

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Marina Silva em debate no Fórum Esfera 2026
(Foto: Divulgação/Esfera Brasil)

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, avaliou que o recente distanciamento de Luiz Inácio Lula da Silva à frente de Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais reflete a tomada de consciência do eleitorado sobre os desdobramentos do chamado “Caso Dark Horse”.

Em pronunciamento, Marina defendeu o amplo direito de defesa, mas foi categórica ao afirmar que o uso de recursos de origens ilícitas por agentes públicos gera uma resposta direta nas urnas.

“Eu acho que cada cidadão, cada eleitor pode fazer a sua escolha. E eu acho que, nesse momento, as pessoas estão entrando em contato com a realidade dos fatos que estão sendo trazidos de forma tranquila, assegurando o mais amplo direito de defesa”, declarou a ministra.

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Sem citar diretamente o nome do senador Flávio Bolsonaro, Marina criticou o financiamento de ações políticas com recursos duvidosos:

“Com certeza nenhum cidadão brasileiro haveria de concordar que dinheiro espúrio, que é retirado tanto dos cofres públicos por acordos espúrios com governos estaduais ou de qualquer outra forma de adquirir patrimônio, possa ser carreado para qualquer que seja a ação de um agente público. Isso tem um custo, e o custo com certeza quem vai cobrar é a sociedade.”

O peso do caso Dark Horse nas pesquisas

A declaração de Marina Silva ocorre no esteio da divulgação da última pesquisa Datafolha, realizada entre quarta (20/05) e quinta-feira (21/05), que revelou um impacto direto do escândalo nas intenções de voto.

  • Segundo Turno: Lula assumiu a liderança com 47% contra 43% de Flávio Bolsonaro. Na semana anterior, os dois estavam tecnicamente empatados em 45%.
  • Primeiro Turno: O presidente também ampliou sua vantagem, marcando 40% contra 31% do senador (a diferença, que era de apenas 3 pontos na semana passada, saltou para 9 pontos).

A pesquisa demonstrou que o caso já é de amplo conhecimento público: 64% dos entrevistados afirmaram ter ouvido falar sobre o tema. Destes, a mesma proporção (64%) avalia que a conduta de Flávio Bolsonaro foi inadequada.

Entenda o escândalo e as contradições do senador

O “Caso Dark Horse” veio a público após uma reportagem do Intercept Brasil revelar que Flávio Bolsonaro pediu recursos financeiros ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro. O longa-metragem levaria o título de “Dark Horse”.

A repercussão negativa foi agravada pelo histórico do ex-banqueiro. Vorcaro é investigado pela Polícia Federal por envolvimento em um escândalo financeiro na casa das dezenas de bilhões de reais, que culminou na liquidação do banco Master, instituição ligada a ele, no ano passado.

A instabilidade na defesa de Flávio Bolsonaro também contribuiu para o desgaste de sua imagem perante o eleitorado e até mesmo entre aliados. Desde a eclosão do caso, o senador mudou sua versão diversas vezes:

  1. Inicialmente, acusou o veículo de imprensa de divulgar fake news.
  2. Posteriormente, admitiu o pedido de dinheiro para o filme.
  3. Avisou aliados que “outros fatos” poderiam surgir.
  4. Nesta terça-feira (19/05), confirmou ter se encontrado pessoalmente com Vorcaro após o ex-banqueiro deixar a prisão.

O cenário no campo da direita

Com a rejeição de Flávio Bolsonaro atingindo 46% (próxima à de Lula, de 45%), a pesquisa Datafolha testou alternativas no campo da direita.

O nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) apresenta um cenário mais competitivo e equilibrado contra o atual presidente. Em uma simulação de segundo turno, Michelle marcaria 43% das intenções de voto contra 48% de Lula. Em um cenário de primeiro turno, ela aparece com 22%. Outros nomes testados, como os governadores Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG), apresentaram desempenho menor.

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