A histórica rivalidade entre as duas maiores metrópoles do Brasil ganhou um novo capítulo recheado de ironia em 2026. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, voltou a provocar a capital paulista e o prefeito Ricardo Nunes, transformando o anúncio de uma rota aérea em munição política.
O estopim da vez foi a confirmação de que a companhia aérea ‘Delta Air Lines‘ vai retomar os voos diretos ligando o Aeroporto do Galeão a Nova York. Diante de tantas mudanças nessa ‘treta’, organizamos um pequeno histórico das declarações, explicando o que aconteceu e como essa disputa pode continuar por muito tempo.
Entenda o que aconteceu
Na internet, Eduardo Paes não escondeu o deboche. Ele comemorou a rota para os Estados Unidos sugerindo que os passageiros paulistas agora teriam que fazer conexão em solo carioca ou aceitar que o Rio reconquistou o protagonismo nos céus.
Por trás da piada, contudo, existe uma estratégia real de reestruturação do Galeão, aeroporto que a prefeitura do Rio tenta blindar limitando voos no Santos Dumont para forçar a volta das linhas aéreas internacionais.
Leia mais: Datafolha: Lula e Flávio empatam no 1º e 2º turnos em São Paulo
“Queridos amigos e amados paulistas, agora vocês podem ir para Nova Iorque sem engarrafar no trajeto até o aeroporto de Guarulhos para enfrentar aquele aeroporto tão tumultuado. Pegue seu voo em Congonhas, pouse no Galeão – aeroporto confortável e espaçoso – embarque direto para o JFK em New York. Viva o conforto do povo de São Paulo!”, escreveu Paes em suas redes sociais.
Veja o post:
Queridos amigos e amados paulistas, agora vocês podem ir para Nova Iorque sem engarrafar no trajeto até o aeroporto de Guarulhos para enfrentar aquele aeroporto tão tumultuado. Pegue seu voo em Congonhas, pouse no Galeão – aeroporto confortável e espaçoso – embarque direto para… pic.twitter.com/9AAB8h57ex
— Eduardo Paes (@eduardopaes) July 8, 2026
Mas, essa provocação aérea é só a ponta do iceberg de uma lista de desavenças públicas que os prefeitos acumulam nos últimos anos.
O round da segurança: A polêmica da Cracolândia em 2023
Um dos momentos mais tensos e agressivos dessa relação aconteceu em maio de 2023, durante um evento de revitalização no Cais do Valongo, no centro fluminense.
Tentando defender a atuação de sua gestão na segurança pública, Eduardo Paes mirou em São Paulo e disparou a frase que gerou um enorme desgaste político: “Não vou deixar a cidade do Rio de Janeiro se transformar num centro de São Paulo, numa Cracolândia”. A fala pegou muito mal e gerou forte reação nos bastidores.
Para conter a crise e evitar o rompimento definitivo, o prefeito carioca precisou divulgar uma nota oficial de retratação imediata. Ele elogiou o trabalho do colega paulista e justificou-se dizendo: “Isso é um problema das grandes cidades do mundo. Só citei São Paulo porque é a maior cidade da América Latina. Aliás, quero fazer uma defesa do trabalho do prefeito Ricardo Nunes, com quem tenho trocado ideias e experiências. As drogas causam problemas irreparáveis que atingem o mundo inteiro, precisamos estar juntos para combatê-los”.
Curiosamente, o tema da segurança pública havia unido os dois gestores semanas antes, quando Nunes apoiou publicamente uma postagem de Paes defendendo a internação compulsória de dependentes químicos.
O round dos bilhões: A disputa pelos motores da Fórmula 1 em 2024
A queda de braço ganhou cifras bilionárias em junho de 2024, quando envolveu vaidade e esportes de elite. Eduardo Paes resolveu desafiar a hegemonia paulista no automobilismo ao lançar o projeto do Autódromo Parque de Guaratiba, uma obra estimada em R$ 1,3 bilhão.
O plano do prefeito carioca era tirar o Grande Prêmio de São Paulo a partir de 2029, logo após o término do atual contrato paulista. No lançamento, Paes provocou abertamente: “São Paulo aumenta o volume que a Fórmula 1 vai voltar para o Rio. O desafio é, não só ter aquilo que já existe no Brasil e o Rio de Janeiro perdeu, mas trazer também a Fórmula 1, a Motovelocidade, Fórmula Indy, enfim… Pensar em todas as alternativas e hipóteses”.
A reação de Ricardo Nunes veio no dia seguinte, em tom contundente de superioridade econômica. O prefeito de São Paulo garantiu que a corrida jamais sairá de Interlagos e ironizou a capacidade carioca: “Nunca, nunca, nunca. Aqui a direção da Fórmula 1 está muito satisfeita com a sua atividade na cidade. É muito difícil você conseguir fazer algo melhor do que a gente tem aqui, além de haver toda uma condição que é analisada com relação à disponibilização de aeroportos, a questão da rede hoteleira, a segurança. Não estou criticando o Rio, amo o Rio. O Eduardo é um grande amigo. Ele só, às vezes, quer fazer umas brincadeiras sem graça, mas faz parte. Agora, o que a gente tem aqui de condições para atender um evento desse tamanho, não é no Rio, não tem em outra cidade da América do Sul”.
Carnaval e o eterno duelo cultural pelo topo do turismo
Essa disputa de narrativas sobre quem entrega o melhor evento se estende para a cultura e o entretenimento o ano inteiro. Em outra clássica troca de farpas nos últimos anos, a prefeitura de São Paulo divulgou dados tentando provar que seu Carnaval de rua havia superado o do Rio em público e arrecadação.
Paes, no melhor estilo carioca, rebateu dizendo que a tentativa paulista é fofa, mas que a tradição da Marquês de Sapucaí é imbatível. Enquanto o Rio infla o ego com grandes apresentações gratuitas na praia de Copacabana, São Paulo responde com o sucesso financeiro de festivais privados como o The Town, consolidando uma guerra onde o Rio aposta no carisma do turismo natural e São Paulo foca no poder puro do mercado financeiro.
Leia também: Arma de Bolsonaro: PF localiza uma espingarda de ex-presidente no RS




