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“Não tem celebração, mas hoje demos um grande passo”, diz irmã de Marielle Franco

Decisão unânime da Primeira Turma responsabiliza Domingos e Chiquinho Brazão pelo crime que matou vereadora e motorista Anderson Gomes

Por Redação TMC | Atualizado em
Anielle Franco posa para foto no STF
Câmera Fotográfica (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

Irmã de Marielle Franco, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, afirmou nesta quarta-feira (25/02) que a condenação dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão representa um “grande passo” na busca por justiça.

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu de forma unânime condenar os irmãos como mandantes do assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes. O crime ocorreu em 14 de março de 2018, no Centro do Rio de Janeiro.

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“Não tem celebração, mas, eu diria, afirmação do que a gente lutado durante os últimos oito anos. Acho que os votos foram fortes. Acho que tiveram falas muito importantes principalmente direcionadas à violência política, gênero e raça, que acho que esse é um ponto que a gente precisa pegar”, declarou Anielle, em entrevista ao G1.

A ministra ressaltou que a presença da justiça não substitui a ausência da irmã. “Confesso que Justiça mesmo seria a Mari estar aqui, mas, hoje, a gente deu um grande passo. Que isso sirva de exemplo para muitas pessoas, que não existe impunidade para nenhum crime“, afirmou.

Condenações e absolvições

Os ministros da Primeira Turma condenaram os irmãos Brazão por terem planejado e ordenado a execução da vereadora e do motorista. O colegiado também os responsabilizou pela tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves, assessora de Marielle que ficou ferida durante o ataque.

O major da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira recebeu condenação pelos mesmos crimes de homicídio e tentativa de homicídio. Os irmãos Brazão foram condenados adicionalmente por organização criminosa.

Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão, foi condenado por organização criminosa. Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, foi absolvido das acusações relacionadas aos homicídios e à tentativa de homicídio. Ele foi condenado pelos crimes de obstrução à justiça e corrupção passiva.

A investigação indicou que a execução teve motivação política relacionada à atuação da parlamentar contra interesses de milicianos e a loteamentos clandestinos na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Os irmãos Brazão responderam sob a acusação de terem planejado e mandado executar o assassinato.

Leia mais: STF condena irmãos Brazão a 76 anos de prisão por assassinato de Marielle Franco

Anielle Franco destacou o significado da decisão após anos de luta. “Acalenta saber que a luta da gente chegou a oito anos depois com as respostas que estamos tendo aqui hoje”, disse. “Saímos aqui de cabeça erguida. Não foi em vão, a gente sai com coração acalentado“, acrescentou a ministra.

Anielle enfatizou a importância das instituições democráticas. “Hoje temos uma resposta e agradeço muito, que é possível acreditar numa instituição séria, se não fosse a democracia não estaríamos aqui. Nunca vamos admitir impunidade“, afirmou.

A esposa de Anderson Gomes, Agatha Arnaus, destacou que a decisão trouxe esperança. “Tem frase ecoando na minha cabeça: para que o mal prevaleça, basta que os bons não façam nada. Hoje também presencio a parte boa dos que estão fazendo bem”, justificou.

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