Luís Filipe Pereira
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Especialista em Política e Relações Internacionais. Interessado por temas da Política e Economia. Nascido no Rio, já morou em São Paulo e agora vive em Brasília. Passagens por G1 e CNN Brasil.

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Os recados da semana de Tiradentes em Brasília

Ruídos internos no Executivo expõem a dificuldade de interlocução dos operadores do Planalto com o Congresso

Por Luís Filipe Pereira | Atualizado em
Congresso Nacional
(Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

A chegada de um novo ministro à Esplanada, a aprovação da admissibilidade das propostas que flexibilizam a jornada de trabalho pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados e o adiamento da votação do texto sobre minerais críticos movimentaram a semana na capital federal. Ainda que não guardem relação, os fatos demonstram ruídos internos no Executivo, e também expõem costumeira dificuldade de interlocução dos operadores do Planalto com o Congresso.

No Ministério do Empreendedorismo, o agora ex-chefe da pasta, Tadeu Alencar, saiu do cargo dizendo que sua nomeação trouxe “tensões indesejáveis” ao PSB. Ex-secretário-executivo, ele deixou o ministério 20 dias após assumir a cadeira que era de Márcio França, que se desincompatibilizou para colocar seu nome à mesa na disputa por uma das vagas ao Senado pelo estado de São Paulo. Seu substituto é Paulo Pereira, aliado do presidente da sigla, João Campos, e que já foi secretário nacional do Consumidor no Ministério da Justiça e secretário-executivo do Conselhão.

No Congresso, com a aprovação da admissibilidade das propostas de emenda constitucional que preveem o fim da escala 6×1, as atenções se voltam para a composição da comissão especial que vai tratar do tema, mais especificamente sobre quem serão os escolhidos para a relatoria e a presidência do colegiado. Relator na CCJ, o baiano Paulo Azi (União) é um dos favoritos para ocupar o cargo também na comissão especial, mas seu nome não agrada totalmente o Planalto. Lembrando que a Câmara optou por não seguir com o projeto de lei enviado pelo governo, mantendo o rito previsto para as PECs.

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E a dificuldade de consenso dá o tom também quando o assunto é o projeto sobre minerais críticos. Em vídeo enviado à coluna, o deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), afirmou que o governo tem pedido mais tempo para aprofundar o diálogo sobre a proposta, que gravita sobre a possibilidade de criação de uma estatal de terras raras. A hipótese até o momento está descartada pelo governo, mas há resistências em alas do PT. O Brasil é detentor da segunda maior reserva mundial de terras raras, ficando atrás apenas da China. O tema ganhou temperatura no debate público após a aquisição de uma mineradora do interior de Goiás por um grupo norte-americano pela quantia de US$ 2,8 bilhões.

Responsável pela articulação política e por tentar facilitar o trânsito do governo no Parlamento, o novo Ministro-Chefe da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, esteve na coletiva de apresentação de um projeto que permite usar a receita extra do petróleo para reduzir o imposto sobre combustíveis. A aparição ao lado de nomes titulares da Fazenda e do Planejamento não era algo tão costumeiro durante a gestão da antecessora, Gleisi Hoffmann.

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