PF colhe depoimentos sobre suspeitas de fraudes entre Banco Master e BRB

Depoimentos do dono do Banco Master, ex-presidente do BRB e diretor do BC ocorrem em Brasília por determinação do ministro Dias Toffoli, do STF

Por Redação TMC | Atualizado em
Fachada de um prédio com logo do Banco Master
(Foto: Reprodução)

A Polícia Federal colhe os depoimentos do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, nesta terça-feira (30/12) em Brasília.

As oitivas, marcadas para as 14h, integram investigação sobre possíveis fraudes financeiras envolvendo as duas instituições bancárias. Um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e um representante do Ministério Público acompanham o procedimento.

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Os depoimentos acontecem por determinação do ministro Toffoli, relator do inquérito no STF. A delegada responsável pelo caso avaliará eventuais divergências entre as versões apresentadas, podendo determinar acareação entre os envolvidos.

Toffoli determinou a realização das oitivas de ofício em 24 de dezembro, sem pedido prévio da PF ou do Ministério Público. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou a suspensão da medida por considerá-la prematura, mas teve seu pedido negado pelo ministro.

O caso começou a ser investigado em 2024 na Justiça Federal e envolve suspeitas de que o Banco Master não teria recursos suficientes para honrar títulos com vencimento em 2025. O processo tramita em sigilo no STF desde o início de dezembro.

Vorcaro e Paulo Henrique Costa participaram das negociações para a venda do Banco Master ao BRB. Costa, antes de ser demitido da presidência do banco público do Distrito Federal após investigações da PF sobre fraudes bancárias, defendia a aquisição do Master pelo BRB como solução para a crise da instituição.

A investigação da Polícia Federal aponta que o Banco Master adquiriu créditos de uma empresa chamada Tirreno sem efetuar pagamento e, posteriormente, vendeu esses ativos ao BRB, que teria desembolsado cerca de R$ 12 bilhões na operação. Ainda não foram divulgados detalhes sobre como ocorreram essas transações financeiras e quais mecanismos permitiram a transferência dos ativos sem o pagamento inicial.

O Banco Central decidiu rejeitar a aquisição do Master pelo BRB e decretou a liquidação da instituição bancária em novembro de 2025. Segundo investigadores da PF, existe a possibilidade de divergência no depoimento de Ailton de Aquino Santos. O diretor do BC não é investigado – diferentemente de Vorcaro e Costa – mas analisou, por obrigação técnica, diferentes alternativas para a crise do Master, incluindo aporte de recursos, troca de diretoria, venda e, por fim, a liquidação.

Na sexta-feira (26/12), o Banco Central apresentou recurso ao STF questionando a urgência do procedimento durante o recesso judiciário e a condição em que seu diretor foi convocado. No sábado (27/12), Toffoli rejeitou o recurso, esclarecendo que nem o BC nem Ailton de Aquino são investigados. O ministro manteve a data do procedimento, justificando sua decisão pelo impacto relevante dos fatos apurados sobre o sistema financeiro nacional.

No mesmo sábado (27/12), entidades representativas de bancos, fintechs e do mercado financeiro divulgaram notas defendendo a autonomia e a atuação técnica do Banco Central. As associações alertaram que a revisão de decisões como a liquidação de uma instituição financeira pode fragilizar a autoridade do regulador e gerar instabilidade no sistema financeiro brasileiro.

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